Centro Comercial: a vida nas alturas
No centro histórico de Londrina, condomínio que completou 60 anos tem moradores que aproveitam uma das vistas mais bonitas da cidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de janeiro de 2020
No centro histórico de Londrina, condomínio que completou 60 anos tem moradores que aproveitam uma das vistas mais bonitas da cidade
Walkiria Vieira - Grupo Folha 
A arquitetura não é o único elemento que se destaca no Condomínio Centro Comercial Londrina. Entregue em 1959, a edificação se divide em salas comerciais e três torres residenciais. Escritórios de advocacia, contabilidade, imobiliária, lojas de aviamentos, roupas, relojoarias, joias, lanchonetes e serviços muito procurados como sapatarias, barbearias, costureiras e salões de beleza com diferentes especialidades atraem quem mora no condomínio, vizinhos e até quem trabalha no entorno ou faz questão do profissional, pela qualidade do serviço.

Do piso que acompanha a história ao pé direito alto, a estrutura chama a atenção de quem a visita pela primeira vez e os comentários renovam o orgulho de moradores e lojistas. Localizado na rua Piauí com a avenida Souza Naves, o condomínio abriga 225 apartamentos e são necessários seis elevadores para dar conta do transporte que leva até o 20º andar. A vista privilegiada é um capítulo à parte na história desse gigante. Das janelas que se abrem diariamente, cenas do cotidiano contribuem para tornar a vida dos moradores cheias de novidades. Saiba um pouco mais como é viver nas alturas das torres coloridas que guardam tantos acontecimentos em seus 60 anos de existência.

Moradora há 14 anos do Centro Comercial, Marília de Assis atuou profissionalmente como esteticista corporal. "No momento eu tenho um auxílio doença". Assis se sente privilegiada em relação ao lugar onde vive. Em seu apartamento, no 17º andar do bloco B, há um universo especial. Suas plantas, a cachorra Lara, os detalhes de sua decoração a preenchem.
Do lado de fora, um outro universo, que não passa despercebido por seus olhos. Além do Relojão, do Palácio do Comércio e do Edifício Júlio Fuganti, Assis enxerga parte da Catedral, a Concha Acústica, a Biblioteca Infantil e ainda o Edifício Tower Shopping, na avenida Santa Catarina. Seus olhos alcançam ainda parte dos Cinco Conjuntos, na região norte e, logo abaixo, o paralelepípedo da Praça Primeiro de Maio e, frequentemente, quem observa os nomes de todos os pioneiros fixados no monumento em homenagem a eles. "Gosto de observar o nascer de cada dia e dessa janela já vi pessoas fazerem amor, tomarem banho e ainda a fraternidade das pessoas que servem comida a quem precisa". Um dia não é como outro e cada espiada na janela é como um sopro de renovação para a observadora. "Eu tenho 60 anos, a mesma idade do Centro Comercial e frequento esse espaço desde os 10 anos de idade. Minha rotina é aqui, pois tomo café na casa de pão de queijo da Iracema, que fica no térreo, me relaciono bem com todos os lojistas e por perto há bancos, médicos, mercado e todos deveriam conhecer esse lugar, pela beleza e austeridade que conserva e também por sua história, que faz parte da história de Londrina.

Segurança, comodidade e boas lembranças
A gerente de butique aposentada Adelaide Martins Lopes, 78 anos, sempre sonhou em viver num apartamento no Centro Comercial e se sente realizada. Já são 39 anos no condomínio e o saudosismo é inevitável. Recorda-se com muita alegria da sorveteria que funcionava onde é hoje a banca de jornal do Tito - e dos momentos ao lado das amigas. Nos dias atuais, os encontros são outros, mas especiais, como os que a levam à missa. Comprometida com o grupo de moradores que dedica-se às melhorias do Bosque Central, fez questão de preparar um vestido para a audiência realizada na Câmara de Vereadores recentemente. Sua costureira, dona Geny, conhece o gosto da freguesa e a peça ficou leve, elegante e com o frescor que os dias quentes exigem. "É só pegar o elevador e descer. É muito bom viver aqui e me lembro como se fosse hoje o dia em que mudei. Foi em 27 de agosto de 1980, data em que o Papa João Paulo II esteve em Curitiba", lembra. Das janelas do apartamento, vê uma pontinha do centro comercial e os prédios do entorno praticamente a cercam. "Já morei no 19º, agora estou no 13º. Para mim é uma felicidade morar nas alturas".

Morando e trabalhando no mesmo condomínio
A comerciante Iracema Polimeni da Silva, 63 anos, considera que suas raízes estejam ligadas ao Centro Comercial. As relações de amizade são o principal motivo para tal e sua alegria em morar no centro da cidade, em um lugar que considera completo, ela faz questão de expressar. "Eu me mudei daqui quando fui morar em Balneário Camboriú. Quando pudemos retornar, escolhi aqui de novo e comprei um apartamento no nono andar."
Há alguns anos, ela montou uma lojinha de pães de queijo na área comercial do condomínio e os vende congelados ou prontinhos para serem saboreados com um cafezinho. Entre idas e vindas, a moradora acredita que já passe de 25 anos sua permanência no local. "É maravilhoso morar aqui. Além de tudo, você nunca se sente sozinho, porque basta descer e encontrar os amigos do condomínio para conversar e se distrair, tem tudo pertinho. Banco, farmácia, mercado, correio, lotérica, banca de jornal, salão de beleza, lojas de roupas e o que você pensar", dispara.
Embora não seja habituada a passar horas paradinha na janela, Iracema, que é uma pessoa muito dinâmica, reconhece que tem uma vista privilegiada. "Da minha cozinha vejo até o Aeroporto. Consigo também enxergar toda a Souza Naves, seus edifícios e na dúvida sobre o clima, espio na janela para ver como as pessoas estão vestidas. Dá super certo e então desço de acordo com a temperatura", brinca.
A recente reforma no apartamento deixou a comerciante ainda mais feliz. "Aqui é maravilhoso. É um prédio forte e enfrentei as opiniões contrárias da família na hora da compra. Falavam que era um lugar antigo, então argumentei que por isso valia tanto. É forte, já passou por todos os testes e resiste ao tempo e tem muita história", sorri. "Eu tenho muito orgulho de viver aqui no Centro Comercial", acrescenta.


