Central do Brasil na mira do Oscar
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sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Rui Nogueira Agência Folha 
O filme Central do Brasil, do diretor Walter Salles, foi escolhido ontem por uma comissão do Ministério da Cultura para disputar uma das cinco indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 98.
É um filme que tem todas as qualidades para disputar e ser o vencedor do Oscar, como prova a sua trajetória em festivais e no mercado internacional, disse o cineasta Nelson Pereira dos Santos, resumindo o pensamento da comissão. A escolha foi por unanimidade. Ao todo, 73 países que produzem filmes não-falados em inglês escolheram ontem os seus representantes e encaminharam as indicações à Academia de Artes e Ciências de Hollywood. A comissão da academia escolhe os cinco finalistas.
A lista de todos os indicados ao Oscar de 98 será anunciada no dia 9 de fevereiro. A entrega dos prêmios está marcada para dia 21 de março, em Los Angeles.
Central do Brasil ganhou o título de Central Station nos EUA e estourou no circuito internacional com o prêmio máximo do festival de Berlim (Urso de Ouro). O mesmo festival deu a Fernanda Montenegro o prêmio de melhor atriz (Urso de Prata).
No próximo mês vai ser lançado em 20 cidades norte-americanas. É a história da personagem Dora que escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil, estação ferroviária do Rio.
Uma das sua clientes, Ana, acaba morta por atropelamento e Dora assume o filho dela, Josué, que sonha em encontrar o pai que nunca conheceu. A contragosto, Dora aceita viajar para o Nordeste à procura do pai do menino.
A história é humana, comovedora, leva emoção à platéia e traça, ao mesmo tempo, um painel dos problemas brasileiros. Como o Walter Salles equilibra bem o sentimentalismo e o lado folclórico, o filme tem grandes chances de ganhar o Oscar, disse Rubens Ewald Filho, crítico de cinema e membro da comissão do Ministério da Cultura.
Na opinião de Ewald Filho, o jogo cinematográfico envolvendo a figura de uma criança e um adulto tem um bom apelo junto ao público e às comissões de seleção.
Além de Ewald, formaram a comissão os cineastas Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Ruy Solberg, Roberto Faria, Bruno Barreto e Hector Babenco. Em 95 foi indicado O Quatrilho. Em 96, Tieta. No ano passado, O que é Isso, Companheiro?. O Quatrilho e O que é Isso, Companheiro? não ganharam o Oscar de melhor filme estrangeiro, mas estiveram entre os cinco finalistas.
Seis filmes se inscreveram para a escolha deste ano: Central do Brasil (diretor Walter Salles Jr.), Ação Entre Amigos (Beto Brant), Bocage, o Triunfo do Amor (Djalma Batista), For All, o Trampolim da Vitória (Luis Carlos Lacerda), O Noviço Rebelde (Renato Aragão) e Boleiros (Hugo Georgetti).
A pré-seleção pelo Ministério da Cultura é uma imposição da academia. Pelas regras do Oscar, podem candidatar-se as produções estrangeiras lançadas entre 1º de novembro de 97 e 31 de outubro de 98. Os filmes inscrevem-se nos órgãos que coordenam a política cinematográfica dos seus países, e uma comissão escolhe um único longa e indica-o à academia. Esses órgãos - no caso do Brasil é o ministério - servem apenas de intermediários no processo e não se intrometem na decisão da comissão. De outubro de 97 até ontem foram lançados no Brasil 18 longas. Até o próximo dia 31, outros três filmes devem ser lançados (Amor & Cia, de Helvécio Ratton, O Alô, de Mara Mourão, e O Toque do Oboé, de Cláudio MacDowell).


