''Central do Brasil'' coleciona prêmios
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terça-feira, 22 de dezembro de 1998
Ricardo Bairos Planet Pop-AE 
Central do Brasil continua a fazer sucesso entre os críticos de cinema nos Estados Unidos. Desta vez, o filme agradou aos correspondentes estrangeiros de Hollywood. Semana passada, a produção de Walter Salles levou duas indicações ao Globo de Ouro, a premiação mais importante de cinema nos Estados Unidos, depois do Oscar. O prêmio, por sinal, é o termômetro que indica e, de certa maneira, influencia a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que escolhe os concorrentes ao Oscar.
A produção brasileira foi indicada ao Globo de Ouro nas categorias de melhor filme estrangeiro e de melhor atriz, para Fernanda Montenegro. Na primeira, os concorrentes são o dinamarquês Festa em Família, o norte-americano Hombres Armados, o argentino Tango e o holandês The Polish Bride (De Poolse Bruid). O Brasil perdeu os dois últimos Oscars de melhor filme estrangeiro para filmes holandeses: A Excêntrica Família de Antônia, que derrotou em 1997 O Quatrilho, de Fábio Barreto; e Caráter, que este ano venceu O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto.
Esta semana, Central do Brasil foi reconhecido por associações de críticos de cinema dos Estados Unidos. O filme foi o vencedor de duas categorias na premiação da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles: as de melhor filme estrangeiro e de melhor atriz, na qual Montenegro dividiu o prêmio com Ally Sheedy (de High Art). A cerimônia de entrega dos prêmios está marcada para 20 de janeiro, em Los Angeles. A produção brasileira também levou o prêmio de melhor filme estrangeiro do National Board of Review of Motion Pictures. Novamente, Montenegro ganhou a categoria de melhor atriz. Estes vão ser entregues em 8 de fevereiro, em Nova York.
Por pouco o mesmo não ocorreu na premiação do New York Film Critics Circle, a organização dos críticos de cinema de Nova York. O prêmio de melhor filme estrangeiro foi para Festa em Família, de Thomas Vinterberg, mas a produção de Walter Salles ficou em segundo lugar na votação. A terceira posição ficou com Gosto de Cereja, do Irã. Montenegro era a favorita na categoria de melhor atriz, mas acabou em segundo lugar na votação, pouco atrás de Cameron Diaz, que levou o prêmio por sua participação em Quem Vai Ficar com Mary?. A escolha foi bastante polêmica. A entrega dos prêmios vai ser em 10 de janeiro, em Nova York.
A produção brasileira também foi exibida no Festival de Cinema de Sundance, no Colorado, Estados Unidos, em janeiro, sem concorrer a prêmios. Ganhou o Urso de Ouro no Festival Internacional do Filme de Berlim, na Alemanha, que também premiou o trabalho de Montenegro. Ao todo, são 19 premiações até agora, contando as aquisições mais recentes: o especial do júri e o de melhor atriz (para Montenegro) no Festival Internacional do Novo Cinema Latino- Americano de Havana, em Cuba.
Central do Brasil foi visto por 40 mil pessoas em três semanas nos Estados Unidos, onde se chama Central Station. O filme está em cartaz atualmente apenas em Nova York e Los Angeles, com seis cópias. Em Manhattan, a produção está sendo exibida em duas salas, o Lincoln Plaza, no Upper West Side, e o Angelika, no Greenwich Village, com capacidade para cerca de 300 pessoas cada. Até o Natal, o filme vai estar em exibição em outras 25 cidades norte-americanas. Cercado de ótimas críticas e com sessões cheias, a produção é a mais importante aposta da Sony Classics nos Estados Unidos nos últimos anos.
O principal objetivo da distribuidora é fazer com que todos os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood assistam ao filme. Queremos alertar as pessoas para a história sem gastar uma fortuna, diz o presidente da Sony Classics, Michael Barker. Além de tentar disputar uma vaga na categoria de melhor produção estrangeira no Oscar, a empresa acredita poder fazer o filme concorrer a outros prêmios, como o de melhor atriz (para Montenegro) e o de melhor filme.
Cinco vezes na história do Oscar uma produção em língua estrangeira ganhou a estatueta de melhor filme, então não achamos que as chances de Central do Brasil sejam muito remotas, diz. A indicação de Fernanda seria como as de Isabelle Adjani, em Camille Claudel, Gérard Depardieu, em Cyrano, ou Catherine Deneuve, em Indochina, que foram todos filmes distribuídos pela nossa empresa. Sobre a categoria de melhor produção estrangeira, Barker reconhece que é uma das mais imprevisíveis do Oscar. Na época de Cyrano, a vitória era dada como certa, mas perdemos, afirma ele.
Embora o filme tenha sido elogiado pelos principais veículos norte-americanos (o New York Times chamou Central do Brasil de feliniano e comparou a atuação de Montenegro aos melhores momentos de Giulietta Masina) e tenha chances no Oscar, em termos de bilheteria ele não concorre com as grandes produções comerciais no mercado norte-americano. Lançada no que é chamado de circuito exclusivo, a fita tem de arrecadar cerca de US$ 3 milhões para ser considerada um grande sucesso. As performances de filmes como Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos e Indochina são impressionantes, com números por volta dos US$ 6 milhões. Temos certeza de que podemos chamar atenção para a produção lentamente, até a época do Oscar, diz o executivo do estúdio.
Na França, onde estreou no dia 2, Central do Brasil atingiu a marca dos 120 mil espectadores em apenas 10 dias. Na Itália e na Suíça, o filme estreou ontem. Na Alemanha, a fita chega no próximo dia 25 e, na Holanda, sua entrada no circuito comercial está prevista para o dia 21 de janeiro. Em 5 de fevereiro, o filme vai ser lançado na Colômbia; logo depois na Venezuela, dia 10; Chile, dia 11; México, dia 12; e Peru, dia 21. Em março, é a vez do Uruguai, no dia 5, e da Argentina e da Bolívia, no dia 12. Em abril, a produção chega ao circuito comercial na Inglaterra e também nos países asiáticos. Com toda a repercussão do filme fora do País, Central do Brasil volta às telas brasileiras no ano que vem, no rastro do anúncio dos indicados ao Oscar, em 9 de fevereiro, e da entrega da estatueta, marcada para 21 de março.


