‘‘Central do Brasil’’ continua a fazer sucesso entre os críticos de cinema nos Estados Unidos. Desta vez, o filme agradou aos correspondentes estrangeiros de Hollywood. Semana passada, a produção de Walter Salles levou duas indicações ao Globo de Ouro, a premiação mais importante de cinema nos Estados Unidos, depois do Oscar. O prêmio, por sinal, é o termômetro que indica e, de certa maneira, influencia a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que escolhe os concorrentes ao Oscar.
A produção brasileira foi indicada ao Globo de Ouro nas categorias de melhor filme estrangeiro e de melhor atriz, para Fernanda Montenegro. Na primeira, os concorrentes são o dinamarquês ‘‘Festa em Família’’, o norte-americano ‘‘Hombres Armados’’, o argentino ‘‘Tango’’ e o holandês ‘‘The Polish Bride’’ (‘‘De Poolse Bruid’’). O Brasil perdeu os dois últimos Oscars de melhor filme estrangeiro para filmes holandeses: ‘‘A Excêntrica Família de Antônia’’, que derrotou em 1997 ‘‘O Quatrilho’’, de Fábio Barreto; e ‘‘Caráter’’, que este ano venceu ‘‘O Que É Isso, Companheiro?’, de Bruno Barreto.
Esta semana, ‘‘Central do Brasil’’ foi reconhecido por associações de críticos de cinema dos Estados Unidos. O filme foi o vencedor de duas categorias na premiação da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles: as de melhor filme estrangeiro e de melhor atriz, na qual Montenegro dividiu o prêmio com Ally Sheedy (de ‘‘High Art’’). A cerimônia de entrega dos prêmios está marcada para 20 de janeiro, em Los Angeles. A produção brasileira também levou o prêmio de melhor filme estrangeiro do National Board of Review of Motion Pictures. Novamente, Montenegro ganhou a categoria de melhor atriz. Estes vão ser entregues em 8 de fevereiro, em Nova York.
Por pouco o mesmo não ocorreu na premiação do New York Film Critics Circle, a organização dos críticos de cinema de Nova York. O prêmio de melhor filme estrangeiro foi para ‘‘Festa em Família’’, de Thomas Vinterberg, mas a produção de Walter Salles ficou em segundo lugar na votação. A terceira posição ficou com ‘‘Gosto de Cereja’’, do Irã. Montenegro era a favorita na categoria de melhor atriz, mas acabou em segundo lugar na votação, pouco atrás de Cameron Diaz, que levou o prêmio por sua participação em ‘‘Quem Vai Ficar com Mary?’. A escolha foi bastante polêmica. A entrega dos prêmios vai ser em 10 de janeiro, em Nova York.
A produção brasileira também foi exibida no Festival de Cinema de Sundance, no Colorado, Estados Unidos, em janeiro, sem concorrer a prêmios. Ganhou o Urso de Ouro no Festival Internacional do Filme de Berlim, na Alemanha, que também premiou o trabalho de Montenegro. Ao todo, são 19 premiações até agora, contando as aquisições mais recentes: o especial do júri e o de melhor atriz (para Montenegro) no Festival Internacional do Novo Cinema Latino- Americano de Havana, em Cuba.
‘‘Central do Brasil’’ foi visto por 40 mil pessoas em três semanas nos Estados Unidos, onde se chama ‘‘Central Station’’. O filme está em cartaz atualmente apenas em Nova York e Los Angeles, com seis cópias. Em Manhattan, a produção está sendo exibida em duas salas, o Lincoln Plaza, no Upper West Side, e o Angelika, no Greenwich Village, com capacidade para cerca de 300 pessoas cada. Até o Natal, o filme vai estar em exibição em outras 25 cidades norte-americanas. Cercado de ótimas críticas e com sessões cheias, a produção é a mais importante aposta da Sony Classics nos Estados Unidos nos últimos anos.
O principal objetivo da distribuidora é fazer com que todos os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood assistam ao filme. ‘‘Queremos alertar as pessoas para a história sem gastar uma fortuna’’, diz o presidente da Sony Classics, Michael Barker. Além de tentar disputar uma vaga na categoria de melhor produção estrangeira no Oscar, a empresa acredita poder fazer o filme concorrer a outros prêmios, como o de melhor atriz (para Montenegro) e o de melhor filme.
‘‘Cinco vezes na história do Oscar uma produção em língua estrangeira ganhou a estatueta de melhor filme, então não achamos que as chances de ‘Central do Brasil’ sejam muito remotas’’, diz. ‘‘A indicação de Fernanda seria como as de Isabelle Adjani, em ‘Camille Claudel’, Gérard Depardieu, em ‘Cyrano’, ou Catherine Deneuve, em ‘Indochina’, que foram todos filmes distribuídos pela nossa empresa.’ Sobre a categoria de melhor produção estrangeira, Barker reconhece que é uma das mais imprevisíveis do Oscar. ‘‘Na época de ‘Cyrano’, a vitória era dada como certa, mas perdemos’’, afirma ele.
Embora o filme tenha sido elogiado pelos principais veículos norte-americanos (o ‘‘New York Times’’ chamou ‘‘Central do Brasil’’ de ‘‘feliniano’’ e comparou a atuação de Montenegro aos melhores momentos de Giulietta Masina) e tenha chances no Oscar, em termos de bilheteria ele não concorre com as grandes produções comerciais no mercado norte-americano. Lançada no que é chamado de ‘‘circuito exclusivo’’, a fita tem de arrecadar cerca de US$ 3 milhões para ser considerada um grande sucesso. As performances de filmes como ‘‘Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos’’ e ‘‘Indochina’’ são ‘‘impressionantes’’, com números por volta dos US$ 6 milhões. ‘‘Temos certeza de que podemos chamar atenção para a produção lentamente, até a época do Oscar’’, diz o executivo do estúdio.
Na França, onde estreou no dia 2, ‘‘Central do Brasil’’ atingiu a marca dos 120 mil espectadores em apenas 10 dias. Na Itália e na Suíça, o filme estreou ontem. Na Alemanha, a fita chega no próximo dia 25 e, na Holanda, sua entrada no circuito comercial está prevista para o dia 21 de janeiro. Em 5 de fevereiro, o filme vai ser lançado na Colômbia; logo depois na Venezuela, dia 10; Chile, dia 11; México, dia 12; e Peru, dia 21. Em março, é a vez do Uruguai, no dia 5, e da Argentina e da Bolívia, no dia 12. Em abril, a produção chega ao circuito comercial na Inglaterra e também nos países asiáticos. Com toda a repercussão do filme fora do País, ‘‘Central do Brasil’’ volta às telas brasileiras no ano que vem, no rastro do anúncio dos indicados ao Oscar, em 9 de fevereiro, e da entrega da estatueta, marcada para 21 de março.

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