Há exatos 10 anos, o Brasil despedia-se de Jorge Leal Amado de Faria, um dos maiores ícones da literatura nacional. E, adiantando as celebrações do centenário do escritor - que comemoraria em 2011 os seus 99 anos - a Fundação Jorge Amado já começa a promover uma série de homenagens que abrangem a sua vida e obra.
A partir de hoje, está aberta no Teatro Castro Alves, na Bahia, a exposição ''100 + 100'', com imagens feitas pelo artista plástico Carybé baseadas nas obras do escritor. Em outubro, estreia nos cinemas a nova versão de ''Capitães de Areia'', com direção e roteiro assinados pela neta do escritor, Cecília Amado. Em 2012, a vida do escritor será o samba-enredo no carnaval da escola carioca Imperatriz Leopoldinense, e a exposição ''Jorge, Amado e Universal'' vai passar pelo Museu de Arte Moderna de Salvador e pelo Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, entre os meses de março e julho.
Dono de uma extensa bibliografia - que inclui romances, contos, poesias, biografias, peças e histórias infantis -, Jorge Amado é o romancista brasileiro que teve o maior número de adaptações em suas obras, vertidas para o cinema, a televisão e o teatro. Alguns exemplos de sucessos de público são ''Tieta do Agreste'', ''Gabriela, Cravo e Canela'' e ''Dona Flor e Seus Dois Maridos'' (ver box).
Para além das fronteiras brasileiras, os livros de Amado também já tiveram adaptações produzidas na Argentina, na Suécia, na Alemanha, na Polônia, na Itália e nos Estados Unidos, e foram traduzidas em cerca de 50 idiomas. ''Jorge Amado talvez seja o escritor brasileiro mais conhecido no exterior. As obras dele respiram brasilidade'', explica o professor Sérgio Paulo Adolfo, doutor em Letras e docente da Universidade Estadual de Londrina, acrescentando que o autor sempre foi uma pessoa com forte engajamento político. ''É impossível dissociar o homem do escritor. Mesmo em obras que, aparentemente, não têm nada a ver com política, ele usa como pano de fundo temas como a fome, a desigualdade e a injustiça social'', completa.

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