Censura virtual
Ao mesmo tempo em que a artista plástica Fernanda Magalhães comemora o convite para expor no Masp a série "Natureza da Vida" em que aparece nua em locais públicos, internautas questionam a censura imposta pela maior rede social do mundo. O Facebook tem excluído dos perfis dos usuários qualquer foto que tenha nudez, sendo alvo de vários processos na rede virtual.
"Não dá para generalizar, pois nem tudo que contém nudez pode ser considerado pornográfico e seria considerado crime. Em vários períodos da história o nu foi retratado de forma artística e sem nenhum contexto erótico. Por isso os apreciadores de arte têm repudiado a política do Facebook de excluir até mesmo as imagens artísticas que determinados grupos utilizam", explica Carla Delgado de Souza, doutora em antropologia e docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Como exemplo, Carla cita as estátuas em que os heróis gregos eram retratados sem vestimentas. "Não existe nada de erótico nessas obras, e muitas pessoas a utilizam como objeto de estudo. Acho que não teria nada demais determinados grupos compartilharem esse tipo de imagem no Facebook", enfatiza a antropóloga.
Ela ressalta ainda que a censura à nudez é preocupante pois está atrelada a um discurso ultraconservador que pode acabar comprometendo alguns direitos civis. "Acho preocupante essa onda de conservadorismo que põe em discussão direitos adquiridos por determinados grupos feministas e de movimentos LGBT após anos de luta. É sintomático que tudo isso venha à tona no mesmo momento", avalia Carla.
A antropóloga chama a atenção ainda para a contradição existente na sociedade. "Por que a pessoa não pode fazer topless na praia, se este ato não tem nada de apelativo? É uma contradição a mulher não poder tomar sol nua de maneira espontânea e natural mas ser incentivada a fazer o quadradinho de oito, que é uma dança extremamente sexualizada", compara Carla. (M.R.)





