CENOGRAFIA BUSCA RECONHECIMENTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de junho de 2000
Joel Gehler De Londrina Especial para a Folha2 
O fórum londrinense de Cenografia e Arquitetura Teatral, organizado pelo Filo, reúne profissionais de toda América Latina e tem duas etapas, depois será levado a São Paulo. O resultado deste encontro em Londrina será publicado na próxima edição do jornal da categoria (Espaço Cenográfico News) e disponibilizado através da Internet, no endereço www.espacocenografico.com.
Segundo José Carlos Serroni, articulador do fórum, as diferenças de tratamento para com os cenógrafos são tão discrepantes pela falta de tradição dos encenadores brasileiros em utilizar este profissional. Embora ressaltando que há diretores que também executam cenografia com muita competência, como é o caso de Gabriel Vilela, Serroni lembra que o teatro é uma arte múltipla, que trabalha com a interdisciplinaridade de outras artes, o que contribui para a construção de um espetáculo melhor acabado.
O egocentrismo também interfere no relacionamento entre cenógrafos e diretores. Serroni lembra que um trabalho em conjunto exige parceria, integração e despojamento para dividir, discutir e aceitar pontos de vista de todos os profissionais envolvidos na produção. Pois esta soma só contribui para um trabalho melhor acabado. Para Serroni, a regulamentação da atividade depende mais de se criar uma tradição de participação de cenógrafos nas montagens que da criação de leis instituindo a profissão.
Os participantes internacionais do Fórum de Cenografia vêm a Londrina buscando partilhar experiências com aqueles que enfrentam problemas iguais. O venezuelano Edwin Ermini e o uruguaio Adán Torres, por exemplo, vivem uma realidade parecida com a brasileira em seus países.
Embora no Uruguai o cenógrafo seja uma profissão com curso de formação superior em fase de regulamentação, o profissional enfrenta a mesma falta de espaço, carências financeiras e ausência de sintonia com diretores, conta Adán Torres. Financeiramente, só estão garantidos quando há patrocínio oficial, nos trabalhos independentes, ficam na dependência do resultado de bilheteria.
Na Venezuela, a condição do cenógrafo é terrível como a própria condição do país, diz Edwin. A falta de dinheiro leva à ausência de público que resulta na falta de oportunidades de trabalho. Mas não é só uma crise econômica, há também uma crise criativa, e temos uma função importante na busca de alternativas. Compartilhando com todos os profissionais do teatro, devemos romper as tradições hierárquicas, porque, afinal, o teatro sempre está em crise, propõe Edwin.


