Ela tornou-se famosa como chacrete e, desde a década de 70, causa furor com tanta sensualidade. ‘‘Madrinha dos presidiários’’, um de seus títulos mais curiosos, a dançarina Rita Cadillac abre o passado e assume que sempre sobreviveu graças ao corpo. Agora, aos 53 anos, ela ganha um documentário sobre sua própria vida.
  A idéia vem do cineasta Toni Venturini. ‘‘Há dois anos, pensando e refletindo sobre tudo o que cercou o Carandiru, vi que um personagem ainda não havia recebido a devida atenção. Esta pessoa era Rita. Ela tem uma história fascinante que merecia um filme, resolvi procurá-la’’, disse. ‘‘Rita Cadillac - A Lady do Povo’’, título do documentário, foi um dos projetos selecionados pelo concurso Cultural Documenta Brasil.
  Assim que recebeu o convite para fazer o filme, Rita pensou que Toni era um aproveitador. ‘‘A princípio achei que ele seria outro 171. Mas quando veio com o contrato, percebi que não era brincadeira.’’
  Por meio de depoimentos e imagens inéditas, o documentário revela os momentos mais importantes da vida e da carreira da dançarina, e resgata desde seus anos de chacrete até os filmes pornográficos atuais e o seu recente casamento, passando pelas clássicas apresentações no Carandiru e no garimpo de Serra Pelada, onde se apresentou para mais de 50 mil homens. ‘‘Para mim, o documentário serviu como terapia. Minha vida sempre foi um livro aberto, porém havia páginas que eu tinha colado uma na outra. O Toni conseguiu fazer com que eu falasse tudo o que eu havia bloqueado.’’
  Órfã de pai, que morreu quando ela tinha 13 dias, Rita foi levada pela mãe à casa da avó paterna. Com 15 anos, conheceu o primeiro namorado. Mais tarde, casou-se com um vendedor, com o qual passou péssimos momentos. Aos 18, ficou grávida de Carlos César, seu único filho.
  ‘‘Depois da separação, sem saber fazer nada, com só 18 anos e um filho no colo, não vi outra saída a não ser fazer programas. E assumo que fiz mesmo, mas foram poucos. Não fiquei nem seis meses nisso. Graças a uma amiga, consegui sair dessa vida. Comecei a fazer apresentações com o produtor Haroldo Costa até ser chamada para o Chacrinha.’’
  Cheiro da fama - O contrato de Rita com a TV Globo era de apenas três meses, mas a chacrete acabou ficando oito anos no programa. ‘‘Vi uma foto minha no jornal e adorei. Me entusiasmei. Senti aquele cheirinho de fama sabe? Resolvi ficar.’’
  Outro destaque na sua carreira foi se tornar a madrinha dos presidiários do Carandiru. ‘‘Fui convidada a fazer um show de final de ano. Achei meio estranho, eu tinha medo, preconceito, mas aceitei. Mais tarde, uma comissão de internos me convidou para ser madrinha.’’
  A dançarina freqüentava sempre o presídio. Recebia até festa de aniversário e conseguiu ganhar a confiança dos homens. ‘‘Ganhei respeito porque não passava a mão na cabeça deles e, ao mesmo tempo, dava atenção. Hoje sou madrinha do filho de um ex-detento.’’
  Quando questionada sobre o bumbum ser seu melhor atributo, ela confirma e não acha ruim. ‘‘Encaro normalmente. No próprio filme eu falo que sobrevivo do meu corpo até hoje.’’ Rita também confessa que fez filmes pornôs por dinheiro. ‘‘Consegui comprar tudo o que eu queria: uma casa na praia, outra em São Paulo e uma para o meu filho.’’ Há poucos meses, casou-se com Luiz Nóbrega, seu ex-vizinho. Ela conta como fisgou o comerciante . ‘‘Chamei ele para trocar uma lâmpada, que não estava queimada, e o agarrei. Ele ficou com medo e fugiu. Depois, acabamos namorando. Ele é meu príncipe.’’
  Para o futuro, Rita já tem em mente o que quer: ‘‘Vou fazer shows até o ano que vem. Estou com quase 54, não dá mais para ficar com a bundinha de fora. Pretendo me candidatar a vereadora aqui na Praia Grande, onde moro.’’

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