Cenas efêmeras
Las Mariposas de Do¤a Música, com a atriz Júlia Varley, do Odin Teatret. Hoje, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 413), em Londrina. Direção de Eugênio Barba. Ingressos a R$ 10,00 (estudantes, pessoas da terceira idade e funcionários da Universidade Estadual de Londrina pagam meia).Elisa Marilia Carneiro
A relação efêmera e eterna entre a personagem, a profissional e a pessoa é a base da encenação de Júlia Varley em Las Mariposas de Do¤a Música, que Júlia prefere traduzir como borboletas. Não há limites entre Do¤a Música, a atriz e eu mesma. É divertido fazer o diálogo entre todas elas, conta. O espetáculo, acontece hoje às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, dentro da programação do Filo.
O teatro, para Júlia, também tem a característica do efêmero. Depois da peça tudo acaba. Mas fica a reflexão, a transformação antes de dar tempo de conhecer profundamente. Como na vida e na Física, a realidade muda o tempo todo. Se transforma antes de chegar a ser.
A voz, no espetáculo de Júlia, é a sua ferramenta mais importante. O som também está sempre em lugares diferentes, pertence ao espaço e não à pessoa. A voz tem a capacidade de criar espaço. Tanto pode ser íntimo como distante, ou ainda um diálogo consigo mesmo. É a magia do teatro. Dentro dessa reflexão, a personagem de Júlia saiu de outra peça: Kaosmos.
Percebi que a personagem de Kaosmos tinha vida mesmo sem o espetáculo. Então ela resolve continuar a contar histórias, afirma a atriz. Como uma larva que se transforma em crisálida e depois em borboleta, as histórias de Do¤a Música são muito ligeiras e resistentes.
Essas histórias são tanto uma realidade quanto uma criação da imaginação representada por Do¤a Música. Segundo Júlia, se o teatro continua sendo fascinante, deve isso não só ao fato de estabelecer uma relação entre os seres vivos - ator e espectador - mas também de apresentar simultaneamente a realidade e sua representação.
Júlia conta que queria ainda resgatar as histórias que as avós contavam para seus netos. Isso ficou perdido. As relações familiares ficaram desestruturadas com a competição do rádio e da televisão, reconhece. No teatro é mais simples restabelecer essa relação.





