Cenas do 'mundo flutuante'
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
As réplicas das gravuras japonesas que chegam a Londrina retratam a fase áurea da arte. Pertencem ao acervo da Fundação Japão, de São Paulo. A coleção reúne pouco mais de 80 exemplares produzidos entre os séculos XVIII e XIX.
Os trabalhos utilizam a técnica da xilogravura (gravura em madeira) e retratam temas como o teatro kabuki, as cortesãs do distrito de Yoshiwara e as paisagens japonesas. No país de origem, são chamados de ''ukiyo-ê'', termo budista que pode ser traduzido por ''cenas do mundo flutuante'', em referência ao que é transitório, passageiro ou efêmero. Os iniciados costumam descrevê-las ressaltando suas cores vibrantes e as perspectivas inusitadas que fogem dos padrões estabelecidos à época pelas escolas européias, daí o fascínio exercido sobre os pintores impressionistas.
Na obra de Toulouse-Lautrec, por exemplo, a influência seria reconhecível pelo contorno escuro em volta dos motivos, além da predominância de amplas áreas de cores puras contrastantes - efeitos nada usuais para a pintura francesa até então. Em ''Artes Visuais do Mundo Flutuante'', o público vai ao encontro das fontes que tanto maravilharam os ilustres artistas franceses.
A exposição traz gravuras (reproduções) de Suzuki Harunobu (1725-1770), Torii Kiyonaga (1752-1815), Toshusai Sharaku, Kitagawa Utamaro (1753-1806), Katsushika Hokusai (1760-1849), Chobunsai Eishi (1756-1829), Ando Hiroshige (1797-1858), Kubo Shunman (1757-1820) e Keisai Eisen (1790-1848). Fusako conta que decidiu intermediar a vinda do acervo como parte das comemorações em torno dos 70 anos de Londrina e também como uma homenagem ao ''Dia da Imigração'', que será festejado amanhã lembrando os 96 anos da imigração japonesa no Brasil.
''Não queria celebrar a data apenas com ikebanas ou com a cerimônia do chá, que são aspectos já bastante difundidos da cultura japonesa. Optei por trazer trabalhos artísticos de valor'' diz. Como desdobramento da exposição, a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Madalena Hashimoto Cordaro vem à cidade no dia 3 de julho para ministrar palestra sobre a cultura da dinastia Edo, século XVII.
Doutora em escrita e pintura desse período, a professora vai abordar o desenvolvimento das artes autenticamente japonesas no auditório do Centro Cultural Brasil-Japão Sokka Gakai (R. Mato Grosso, 585), a partir das 9h30, com entrada franca. Toda a programação conta com patrocínio integral do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Serviço:
- Hoje: Exposição ''Artes Visuais do Mundo Flutuante''. Horário: 20 horas. Local: Museu de Arte de Londrina (R. Sergipe, 640). Poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e sábado, das 8h às 13h.
Dia 3 de julho: Palestra sobre ''ukio-ê'' com Madalena Hashimoto Cordaro. Horário: 9h30. Local: Centro Cultural Brasil-Japão Soka Gakkai (R. Mato Grosso, 585). Entrada franca.


