O que se convenciona chamar de Saara é, na verdade, o Deserto do Oeste. Aliás, em árabe, Saara significa deserto. Mas não se resume só a areia e céu. É também ferro, calcário, beduínos, oásis, camelos e turistas apaixonados por uma das paisagens mais belas e inóspitas do mundo. Para se chegar a um dos pontos mais interessantes e desconhecidos do Grande Saara, que compreende, entre outras formações, o Deserto Negro e o Deserto Branco, leva-se cerca de seis horas de viagem, partindo do Cairo em direção ao sudoeste. O ideal é sair no início da noite, dormir em um alojamento e, pela manhã, seguir por mais algumas horas.
Chega-se primeiro ao Deserto Negro, localizado a 150 quilômetros ao sul do oásis de Baharyia, cuja principal vila, Bawiti, não tem mais que uma rua. Mais cem quilômetros ao sul e já se aproxima o oásis de Farafra, próximo do Deserto Branco, uma das paisagens mais espetaculares do Egito.
As rochas calcárias, branquíssimas, mudam de cor ao longo do dia e adquirem um tom alaranjado durante o pôr-do-sol. A erosão provocada pelo vento implacável do deserto formou esculturas nas rochas, que ganham formas magníficas, como a Pedra da Galinha.
Nem pense em dispensar a companhia de um guia. Em geral, eles dirigem off-roads, contam com uma pequena cáfila (coletivo de camelos que, aliás, são dromedários, porque só têm uma corcova) e são beduínos. Beduínos? Povo nômade que habita os desertos do Norte da África e do Oriente Médio.
Se tiver sorte, eles serão tão simpáticos e acolhedores que, além de montar um charmoso acampamento a céu aberto em pleno Deserto Branco e preparar um delicioso frango na brasa regado a especiarias, ainda entoarão canções árabes que tornarão a estada inesquecível. Mais inesquecível, só a lua cheia do deserto. (F.G./AE)

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