Cenário preenche o vazio
Ao criar o cenário da montagem, Paulo de Moraes e Gelson Amaral foram além do cenário em preto e branco (tradicional nas montagens de ‘‘Esperando Godot’’). A idéia era dar ao elemento central - a árvore - um aspecto sinistro, quase ameaçador, e, ao mesmo tempo, indiferente. Com um estrutura de ferro não recoberta como um todo, a aparência da árvore de quatro metros de altura é de algo em decomposição. ‘‘Como se algo fosse perdendo a casca, como se o inorgânico fosse tomando conta do orgânico’’, diz Paulo de Moraes, complementando que com sua dimensão gigantesca e suas sombras bem marcadas, a árvore deverá acentuar a condição de insignificância dos personagens.
O cenário se completa com um pêndulo, ao fundo, formado pelo sol e pela lua. ‘‘Isso deu uma cor ao espetáculo, mantendo, no entanto, a mesma carga dramática do texto’’.
Os figurinos de João Marcelino, também trabalhados com muita cor, trazem elementos que possibilitam a motivação dos atores a praticar ações e esquecer a ausência do sentido da vida. A direção de Paulo de Moraes apontou para que as mínimas coisas do lugar onde se passa a ação deveriam preencher o vazio existencial dos personagens. ‘‘Eles devem se agarrar a essas coisas, mesmo sabendo que elas não são suficientes’’.
Fechando o conjunto, a trilha sonora composta por Arrigo Barnabé dá um batimento contemporâneo à montagem. Porém, com um resquício melancólico. ‘‘Como se fosse uma espécie de raiz de saudade. Ao mesmo tempo que é muito pulsante, é muito melancólico’’, define Paulo de Moraes. (J.S.)

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