Cenário pré-apocalíptico
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terça-feira, 03 de julho de 2012
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
Depois de várias viagens aos Estados Unidos, em sua primeira vez em Nova Iorque o fotógrafo londrinense Walter Ney foi surpreendido em agosto do ano passado por uma companhia inesperada: o furacão Irene, previsto para acontecer durante a sua estada na ''big apple''. Na cidade conhecida por ''nunca dormir'' devido à sua efervescência constante, de repente um contraste de imagens: nova iorquinos se preparando para esvaziar uma cidade durante um período de risco; comida e água sendo estocadas; tapumes pregados nas vidraças e paredes, além de sacos de areia para proteger a parte estrutural.
Em NY para participar dos jogos mundiais de atletismo, na categoria master, Walter Ney deixou o instinto artístico falar mais alto e não hesitou em burlar as orientações de segurança para fazer alguns registros fotográficos de uma experiência nova e instigante para ele. Ao conseguir sair pelas portas dos fundos do hotel, a chance de capturar imagens do sábado anterior à previsão da passagem do furacão Irene e da madrugada de domingo - após o fenômeno climático -, registros que traduzem em linguagem fotográfica uma série de emoções.
''Como não estamos acostumados com esse tipo de situação, dá uma sensação inicial de que há uma certa neurose por parte deles. O furacão acabou sendo uma forte tempestade tropical, mas poderia ter sido pior; de qualquer forma foi bem assustador'', afirma. ''Tanto lá quanto no Brasil, os programas de televisão ficavam a toda hora mostrando imagens devastadoras de outros furacões e isso assustou muito os nossos familiares daqui. Eu estava tranquilo, mas quando vi as pessoas colocando os tapumes, até mesmo no prédio de alta segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), vi que a coisa era séria mesmo'', lembra.
O resultado dessa vivência poderá ser conferido pela primeira vez a partir de amanhã, na Central de Decorados Plaenge, quando acontece a abertura para convidados da exposição ''O dia em que Nova Iorque parou''. A partir de sexta-feira, das 9 às 18 horas, a mostra estará aberta para o público em geral. Na mesma data, a Plaenge lança a 11 edição da revista Plaenge Premium.
Ao todo serão expostas 20 fotos com um olhar diferenciado de Nova Iorque, além da exibição de um filme com algumas das imagens captadas, em uma experiência bem-sucedida de utilização de várias linguagens. Batizado de ''The Last Train'', em alusão ao último metrô do dia do furacão, que partiu ao meio-dia de sábado, o vídeo utiliza, como trilha sonora, a própria sonoridade dos músicos de rua da cidade.
''Há também aquelas imagens que todos nós gostamos de ver, de uma Nova Iorque ensolarada, com todo seu mistério e glamour. Como fotógrafo, essa minha experiência teve tudo que o trabalho fotográfico exige, com doses de curiosidade, prazer e tensão, que agora compartilho com alegria com as outras pessoas, embora na época nem imaginava que aquele 'ensaio' pudesse virar uma exposição'', destaca o fotógrafo de 55 anos, que há mais de 30 vem se dedicando à arte da fotografia em busca de um trabalho cada vez mais autoral.
Serviço:
- Exposição ''O dia em que Nova Iorque parou'', do fotógrafo Walter Ney
Quando - A partir de sexta-feira, das 9 às 18 horas. Até o dia 30/07
Local - Central de Decorados Plaenge (Av. Madre Leônia Milito, esq. com Ayrton Senna), em Londrina
Quanto - Entrada gratuita


