CENA ABERTA Uma família do teatro
Edith Gazzaniga, 43, e María José Jerónimo, 17. Mãe e filha na vida real, as argentinas do Grupo Andar dividem o palco pela primeira vez, em um espetáculo marcado pelo conflito de duas mulheres no cotidiano. Em cena, quanto mais tenso o clima entre elas, melhor. Edith e María contam como é essa relação dentro e fora dos palcos. Um detalhe: Edith começou no teatro aos 22 anos. Aos 25, conheceu José Jerónimo, com quem fundou o Grupo Andar. Casou-se com ele e teve duas filhas: María José e Luzia. Uma família do teatro.
Há quanto tempo vocês trabalham juntas?
Edith Eu já fazia teatro com María no ventre. Mas aos seis anos ela foi assistente em um espetáculo de bonecos do nosso grupo.
Esta é a primeira vez que somente as duas vão juntas para o palco. Como foi a convivência na montagem do espetáculo?
Edith No momento de preparar o espetáculo tratava de esquecer que era mãe. Acho que consegui. Pelo menos não fui uma mãe insuportável.
María Em cena vivemos o conflito em pé de igualdade. Inclusive temos uma briga bem violenta. Mas não de mãe e filha.
E quando o conflito está do lado de fora da cena?
María É normal que antes das apresentações a gente brigue e isso faz com que o espetáculo saia melhor (ri). Geralmente brigamos por bobagens, como um sapato fora do lugar, por exemplo.
Como é essa relação da família com o teatro?
Edith Também tenho outra filha de 12 anos que trabalha conosco. O teatro faz parte da nossa vida. As duas estão envolvidas não apenas por isso, mas porque querem. Esse projeto de vida e de teatro não dá para separar.
Em alguma hora isso não atrapalha?
Edith Não falamos de teatro em casa. Não é fácil, mas tratamos as coisas bem separadas.





