Zeca Corrêa Leite
Os londrinenses chegam com tudo. O dramaturgo Mário Bortolotto, que tem um pé na paulicéia e outro em Londrina, está vindo com seu grupo ‘‘Cemitério de Automóveis’’ - radicado em São Paulo - para se apresentar durante três dias no Teatro do Paiol. Temporada de repertório: a cada dia, uma peça diferente. Amanhã (sábado), no Teatro José Maria Santos, o grupo Boca de Pano encena ‘‘O Abajur Lilás’’, dentro da mostra ‘‘Paraná Faz Teatro’’.
Mário Bortolotto é o autor e diretor dos espetáculos do Paiol. Foi também o fundador do ‘‘Cemitério de Automóveis’’, em 1982, juntamente com Edson Rocha e Lázaro Câmara. Entre 1994 e 1997 fixou-se em Curitiba, até mudar-se para São Paulo. Hoje é dia de ‘‘Será que a Gente Influencia o Caetano?’’; amanhã tem ‘‘Medusa de Rayban’’ e domingo ‘‘Postcards de Atacama’’. À excessão do último dia, com sessão às 20 horas, as demais apresentações começam às 21.
‘‘Será que a Gente Influencia o Caetano?’’, escrita em 1986, mostra dois jovens que sonham com o estrelato. Enquanto um pensa em galgar o caminho da poesia, o outro se imagina músico. O tema foi baseado nos sonhos que povoavam os pensamentos de Bortolotto e Roberto Virgínio - que atuam nesta montagem - além dos amigos que os rodeavam.
‘‘Medusa de Rayban’’ é uma metáfora do medo. Ele se utiliza do mito de Medusa para abordar de frente a violência. Montada ano passado no Centro Cultural São Paulo e no TBC-Arena, rendeu a Bortolotto a indicação ao prêmio Shell de Melhor Autor. O ator Everton Bortotti levou o Troféu Mambembe de melhor ator coadjuvante.
Jack Daniels, Johnny Walker, Hell e Baby Face são quatro assassinos de aluguel que tentam fazer seu trabalho da maneira mais profissional possível. Um deles acaba sendo entrevistado num programa de televisão como celebridade, o que mostra não só o ridículo da situação, como também a inversão de valores e a vulgaridade em que se transformaram a vida e a morte. Estão no elenco Bortotti, Pedro Roberto Fiori, Bortolotto, Joeli Pimentel, Fernanda D’Umbra, Carla Meneguella e Alessandro Bartel.
A solidão move as vidas presentes em ‘‘Postcards de Atacama’’. Uma mulher misteriosa contrata um ex-policial para descobrir o paradeiro do marido, que desapareceu do mapa. A única pista são os postais que o homem remete do deserto de Atacama, no Chile.
O autor pondera que só mesmo uma pessoa terrivelmente carente poderia fazer isso: mandar cartões-postais ‘‘do deserto mais árido do mundo’’. Por ironia ele não está sozinho neste mundo de trevas. Outras solidões se arrastam em histórias paralelas.
Bortolotto propõe com este trabalho não só a discussão como as possíveis saídas para esta situação. No elenco estão Aline Abovski, Carla Meneguella, Everton Bortotti, Fernanda D’Umbra, Gabriela Schwab, Joeli Pimentel, Mário Bortolotto e Pedro Roberto Fiori.
Abajur LilásA mostra ‘‘Paraná Faz Teatro’’, que encerra domingo no Teatro José Maria Santos, recebe amanhã o grupo londrinense Boca de Baco. Única apresentação de ‘‘O Abajur Lilás’’, texto cortante de Plínio Marcos, com direção de André Luís Lopes.
O mundo retratado por Plínio é denso e asfixiante, ao narrar a história de Dilma, Célia e Leninha, três prostitutas exploradas por Giro, dono de bordel, e Osvaldo, um homem que tem na violência seu único prazer. A descida ao inferno faz com que os ordinários objetos ao redor tenham um valor maior que suas próprias vidas.Grupo Cemitério de Automóveis leva de hoje a domingo três peças diferentes no Teatro Paiol, em Curitiba
Alessandra de Oliveira/DivulgaçãoO ator Everton Bortotti em ação na peça ‘‘Medusa de Rayban’’, uma das que serão apresentadas no Paiol pelo grupo Cemitério de Automóveis‘Abajur Lilás’
na mostra Paraná
Faz Teatro

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