'Cemitério' chega à maioridade
Francelino França
De Londrina
O Grupo Cemitério de Automóveis lembra 18 anos de atividades levando ao palco duas peças, nesse final de semana, em Londrina. A partir de hoje, com direção de Mário Bortolotto, os atores levam à cena Felizes para Sempre e Efeito Urtigão. O dramaturgo e diretor avalia esses 18 longos anos reafirmando suas referências e afirmando que aglutinou outras durante esse percurso.
Nós não fugimos aos princípios de mostrar um teatro com temas malditos, existencialistas e underground, considera. Apesar disso, Bortolotto não se exime de autocrítica em relação aos primeiros textos produzidos no início dos anos 80. Não tenho pretensão de que minhas peças façam sucesso. Até como dramaturgo, não sei se vou ser descoberto. Não tenho esperanças quanto a isso, diz.
A dramaturgia do londrinense já foi encenada por grupos de Santos, Maringá e Brasília, que lançaram luzes nos becos em que sobrevivem personagens underground, imprimindo um ritmo diferente àquele proposto pelo autor. Radicado em São Paulo, de acordo com ele, estão previstas remontagens no Centro Cultural da capital paulista das peças Nossa Vida não Vale um Chevrolet, Fábula Podre, À Queima-roupa e Curta-Passagem. Como prova de que a marca Bortolotto está se solidificando em Sampa, o dramaturgo foi convidado para escrever textos para algumas fotos da exposição de Sebastião Salgado, no lançamento do livro Êxodos.
Nas duas pocket plays apresentadas, a platéia é convidada a se integrar ao universo de Bortolotto, assistindo às peças do palco. Por isso a lotação máxima é de 40 pessoas. Efeito Urtigão enfoca um jornalista desiludido Marcão sufocado com a forma com que é obrigado a encarar a profissão. De repente, toma a decisão de fugir dessa roda-viva, se isolando no meio do mato, tendo como companhia seu cachorro. Everson, contemporâneo de faculdade, vai atrás de Marcão com intuito de grampear uma grande reportagem sobre a vida do amigo desiludido. São 50 minutos de existencialismo, garante o autor.
Na segunda peça, Felizes para Sempre, o relacionamento a dois é colocado no ringue. A primeira parte, O Rei do Amor Está Morto, tem o título pinçado de uma canção de Nina Simone. Os amantes travam um relacionamento de atração e repulsa o tempo todo. Em Sweet Emily, um boxeador aposentado é casado com uma garota muito doce, mas tudo é colocado de forma mais forte e violenta. Afinal, para alguns, a afetividade também pode vir da porrada. Nesse duplo apontamento sobre o relacionamento a dois, a angústia não tem vez.
Complementando a programação do Cemitério Mostra Teatro, no dia 15 de abril, acontece o lançamento do CD Cachorros Gostam de Bourbon, de autoria de Mário Bortolotto. O CD foi lançado anteriormente somente em Curitiba. São 14 músicas com a cara de Bortolotto, como ele prefere frisar, gravadas em 8 canais, em situação precária. No show, Bortolotto conta com a participação afetiva de Neusa Pinheiro e dos músicos Rogério da Gaita, Coelho e Rubens K.
Cemitério Mostra Teatro, textos e direção de Mário Bortolotto, no Teatro Zaqueu de Melo. Hoje às 20 horas Felizes para Sempre, às 21 horas Efeito Urtigão. Dia 8 de abril, Felizes para Sempre, às 20 e 21 horas. Dia 9, às 20 horas, Efeito Urtigão, Com Christine Vianna, Joeli Pimentel, Fernanda DUmbra e Mário Bortolotto. Ingressos a R$ 5,00.O grupo Cemitério de Automóveis completa 18 anos e comemora com uma mostra de espetáculos
DivulgaçãoMário Bortolotto: Não fugimos aos princípios de fazer um teatro com temas malditosDivulgaçãoFernanda DUmbra em Felizes para Sempre





