Começou na quarta-feira (5) a segunda temporada da série "Cem Anos de Solidão", baseada no livro de Gabriel García Márquez. A série da Netflix transpõe para a telinha o livro lançado em 1967 que deu reconhecimento mundial ao autor.

García Márquez levou cerca de 18 meses, entre 1965 e 1966, para escrever "Cem Anos de Solidão" num processo criativo intenso. Para isso, deixou sua mulher, Mercedes Barcha, cuidar do orçamento da casa e deu-lhe o que tinha de economias. Isso não foi suficiente para o tempo que ele passou com os olhos cravados na máquina escrevendo sem parar, dia e noite. Quando acabou o dinheiro, Mercedes vendeu móveis e objetivos pessoais para bancar as despesas da casa porque eles não tinham mais dinheiro.

A vida dos autores nem sempre é fácil: além da penúria financeira, podem sentir angústia ao tentar escrever um livro projetado há anos, mas que só sai da cabeça quando se vence um bloqueio criativo. Gabo, como também era chamado, passou 20 anos como um caçador espreitando a presa, fazendo a ronda das palavras para o enredo de um dos livros mais importantes da literatura latino-americana. O livro conta parte da história mítica e crítica da Colômbia, uma grande metáfora, especialmente do chamado Massacre das Bananeiras, que ocorreu na cidade de Ciénega, quando a companhia norte-americana United Fruit Company passou a explorar o cultivo das frutas, base da economia local, sem reconhecer direitos trabalhistas, causando um conflito.

Gabriel García Márquez levou anos embalando a história de "Cem Anos de Solidão" até encontrar o caminho da narrativa. Teve um 'insigth' de como escrevê-la em Acapulco, no México, e se isolou para se dedicar ao livro de forma intensa. Deu certo: a publicação, em 1967, foi sucesso mundial, traduzido em 36 idiomas.

A história tem personagens complexos e um jogo intrincado de nomes que se sucedem por sete gerações, tudo se passa na cidade fictícia de Macondo, a Ciénega recriada pelo autor.

Num dado momento, há dezenove Aurelianos Buendía que coexistem, daí as árvores genealógicas que acompanham o livro há décadas para facilitar o entendimento do leitor. A Netflix também preparou um cartaz com a árvore genealógica da família para estrear a nova temporada que terá sete capítulos, além de um grande episódio final com a duração de um longa-metragem que estreia em 26 de agosto. A direção da segunda temporada é de Laura Mora Ortega e Carlos Moreno.

Agora, é embarcar na viagem da segunda e última temporada que, além de uma história familiar, traz histórias da política e dos conflitos da Colômbia, com seus patriarcas e matriarcas a começar por Úrsula Iguarán, mãe de Aureliano, uma mulher tão forte quanto as árvores que sustentam uma cultura intensa, sangrenta, apaixonada e com um pé na loucura também chamada "realismo fantástico ". Sob a ótica deste gênero literário, tudo é permitido: lugares onde vivos e mortos convivem, envenenamentos combatidos com rezas e ervas, pessoas que flutuam como se o peso da história fosse vencido com sopros. E assim, deixamos a realidade para embarcar na série que corresponde a uma obra-prima da literatura latino-americana: soberba, brilhante e, às vezes, insana pelo excesso de paixão e sofrimento.

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