Arquivo FolhaO Pagador
de Promessas,
1962O Rio de Janeiro vivia um ritmo de final de século quando, na Rua do Ouvidor, foi realizada a primeira sessão de cinema que se tem registro no Brasil, em 1896. Cerca de um ano depois, a rua já convivia com salas fixas de exibição com omniógrafos e animatógrafos Lumiere - a tecnologia de ponta da época em projeção de imagens em movimento.
A chegada do cinema no Brasil, cerca de seis meses após o surgimento na França, marca o início de uma trajetória tumultuada, cheia de altos e baixos, permeada de nomes talentosos e outros nem tanto. A riqueza da história do cinema nacional transformou o que seria um capítulo à parte no livro ‘‘Cem Anos de Cinema’’, do advogado mineiro Guido Bilharinho, em um novo livro: ‘‘Cem Anos de Cinema Brasileiro’’, lançado recentemente durante o Festival de Cinema de Brasília, realizado em novembro.
Arquivo FolhaO Quatrilho,
1995
‘‘O assunto acabou se transformando em um livro fundamentado em pesquisa e crítica. Nos textos de muitos filmes que consegui ver e rever inseri a crítica, principalmente naqueles produzidos na década de 90’’, comenta o autor em entrevista feita por telefone à Folha.
Bilharinho possui um contato próximo com o cinema desde a década de 60, época em que participava de um cineclube em Uberaba ministrando cursos, produzindo listas com os ‘‘dez melhores filmes’’ e realizando debates. Além disso, Guido Bilharinho já publicava críticas na imprensa mineira, hábito que mantém ainda hoje.
O advogado também coleciona, desde aquela época, recortes de revistas e jornais sobre assuntos diversos que resultaram em um grande arquivo que o ajudou a embasar as pesquisas.
Arquivo FolhaBye,
Bye
Brasil,
1979
‘‘Esse livro tem uma particularidade que é a abrangência. Narra desde as primeiras projeções até filmes que ainda não foram lançados, não fica nada para trás’’, ressalta Bilharinho. A publicação - editada pelo Instituto Triangulino de Cultura de Uberaba - possui 216 páginas. O assunto é dividido em décadas e gêneros. Além disso, traz uma boa bibliografia e vários índices - onomástico de diretores, críticos, pesquisadores, atores, jornalistas; de entidades e instituições; de filmes comentados; de ilustrações; índice geral e um sumário.
O resultado é um livro fácil de manusear e pesquisar, com informações preciosas para quem está se iniciando no assunto. Desde os primórdios do cinema nacional, a obra traz um panorama que segue pelas décadas de 20, 30, chanchadas, cinema-novo, cinema marginal dos anos 70, anos 80 e a retomada das atividades nos anos 90. ‘‘Essa organização é proposital, é quase uma introdução. Quem ler vai ter uma noção quase completa do cinema brasileiro’’, explica o autor.
Estevam Avellar/Arquivo FolhaQuem
Matou
Pixote?,
1995
O texto traz uma abordagem diferenciada. Nas primeiras décadas, o autor se limita a citar nomes e filmes dentro de um contexto histórico. Quanto mais o livro se aproxima da atualidade, mais crítico o texto vai se tornando, obedecendo a memória do autor. ‘‘Cem Anos de Cinema Brasileiro’’ é também um lançamento atualizado, com uma análise aprofundada sobre a atual produção cinematográfica do País.
•Cem Anos de Cinema Brasileiro - Livro de Guido Bilharinho. A obra pode ser adquirida com o envio de cheque nominal ou vale-postal no valor de R$ 15,00 para Instituto Triangulino de Cultura, Caixa Postal 140, CEP 38001-970, Uberaba, Minas Gerais.

mockup