Cem anos de cinema espanhol
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de janeiro de 1999
Simone Mattos 
Uma exposição que já rodou o mundo, acaba de chegar à Curitiba. A Mostra Internacional de Livros Sobre o Cinema Espanhol, reúne mais de 300 obras impressas e sete filmes, que estão à disposição do público no Centro Cultural Brasil-Espanã.
A homenagem aos cem anos do cinema espanhol (1896-1996) já foi mostrada em várias cidades do mundo, como San Juan de Porto Rico, Santiago do Chile, Roma, Atenas, Dublin, Paris, Lisboa, Cidade do México, Chicago e Nova York. Em Curitiba, ficará até o dia 20 de março.
Quem estiver interessado, deve ir à sala 12 do Centro Cultural Brasil-Espanã. As pessoas podem ler e copiar os livros, só não podem retirá-lo do Centro porque são exemplares únicos no Brasil, explica o curador da exposição, Luiz Arthur Montes Ribeiro.
Os livros trazem biografias dos cineastas, suas trajetórias pessoal e profissional, além de sinopses dos filmes. Ele explica que, apenas sobre Pedro Almodovar, por exemplo, há mais de 20 livros. Sobre Luis Bínel são cerca de 15 obras.
Além do acesso aos livros e a um catálogo, editado pelo governo espanhol, os visitantes da mostra poderão assistir a sete importantes filmes, que marcaram a história do cinema espanhol. São eles Sombra e Luces, Cien Anõs de Cine Espanõl, Cinematógrafo 1900, Um Perro Andaluz, Raza, El Espíritu de La Colmena e Belle Epoque.
Basta escolher o filme preferido e, se quiser assistí-lo, basta se dirigir à sala de vídeo do Centro Cultural. Essa é uma forma de ilustrar a retrospectiva com filmes que retratam todas as fases do cinema espanhol.
A exposição mostra claramente a divisão dessas fases. Os Primeiros Passos - A Época do Cinema Mudo (1896-1930), revela uma época de produções caseiras e sem grandes pretensões, de onde saíram mais de cem filmes, igualando o cinema da Espanha aos de outros países europeus.
O Cinema Sonoro - A República e a Guerra Civil (1930-1939) trouxe a novidade do áudio acoplado aos filmes. A maioria das produções dessa fase revelou apenas o sofrimento do povo espanhol, retratando a realidade da época.
Esse período foi substituído pelo Cinema Espanhol no Período Franquista (1940-1975), quando os filmes progrediram muito, posicionando-se entre os melhores da Europa. Apesar da censura, o cinema espanhol dessa fase se firmou no mundo, explica o curador da mostra.
Quando acabou a era franquista, o cinema entrou no Período de Transição (1976-1982). Foi uma fase onde o povo espanhol saiu da ditadura e da censura, usando o cinema para mostrar ao mundo que era livre.
Nos últimos 15 anos, O Cinema na Democracia tem revelado filmes espanhóis de melhor qualidade, remodelados e com grande preocupação sobre os artistas e roteiros. Isto tem feito com que a Espanha se firme como um grande centro cinematográfico, explica Ribeiro. Ele cita como exemplo dessa nova fase o cineasta Pedro Almodovar, que tem conquistado um grande público, em todo o mundo, com seus filmes.
A Mostra Internacional de Livros Sobre o Cinema Espanhol ficará em cartaz até o dia 20 de março, no Centro Cultural Brasil Espanã de Curitiba (Avenida Silva Jardim, 2.186, fone 324-4340)


