São Paulo, 21 (AE) - Um dos melhores diretores de teatro do Brasil está de volta a São Paulo. Trata-se de Celso Nunes, que há três anos mora em Florianópolis. O espetáculo "Honra", protagonizado por Regina Duarte, com sua direção, estréia amanhã (22) para convidados, no Teatro Cultura Artística.
A peça é sobre a história do casal Nora (Regina Duarte) e Gui Spencer (Marcos Caruso) que, após 32 anos de casamento, com a chegada de uma jovem jornalista (Carolina ferraz), têm a sua relação abalada. A filha deles (Gabriela Duarte), procura entender os motivos dessa separação. O texto fala sobre amor, razão e instinto, infidelidade, posse e perdas, dor e amadurecimento.
"Todos os personagens se modificam a partir dessas experiências", comenta Nunes. "Casar, descasar, cicatrizar corações, reabrir corações para novas paixões, são comuns à maioria das pessoas." Ele diz que no elenco, excluindo a Gabriela, todos já passaram por isso e podem agora falar sobre esses assuntos sem amargura.
O que mais o encantou para dirigir "Honra", foi a possibilidade de poder trabalhar com a Regina, também produtora da peça. Os dois se conhecem há 35 anos, foram vizinhos, têm amigos em comum e planejavam trabalhar juntos. Na encenação, Nunes induziu os atores a criar os seus personagens com objetividade e distanciamento. "Em alguns casos, os atores começam a se confundir com os papéis que interpretam e, para evitar isso, desenvolvi as dessemelhanças entre a personalidade pessoal dos artistas e a dos personagens."
Outra peculiaridade da montagem é a "quebra da ilusão". O diretor quer que o espectador perceba os momentos de ruptura entre ficção e realidade. Os intérpretes, para proporcionar essa idéia, vão pegar os acessórios cênicos e realizar as trocas de roupa na frente do público. "Assim ele mantém a capacidade de reflexão e, ao mesmo tempo, se identifica ou não com a cena."
"Honra" terá músicas ao vivo com os pianistas Bruno Monteiro ou Danillo Martins. "A música substitui a voz humana, é a alma dos personagens", comenta. Amadurecido, Nunes considera-se, hoje, um facilitador do teatro, já que em Honra permite aos atores opinar sobre o trabalho de direção, fato que, anteriormente, em suas diversas outras montagens era inconcebível.
Nunes é considerado um dos melhores diretores de sua geração, um dos únicos que se preocupou com a formação artística. Graduou-se na Sorbonne, em Paris, e teve como mestres grandes nomes do teatro, como Peter Brook e Jerzy Grotowsky. "Foi incrível ter sido aluno deles", diz. "O que eu sou no teatro devo a esssa pessoas." Em sua trajetória artística dirigiu muitos espetáculos e entre os estrangeiros estão: "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant", do cineasta alemão Rainer Fassbinder, "Coriolano", de Shakespeare, "Equus", de Peter Shaffer, entre outros. Seu último trabalho em São Paulo foi o espetáculo "Batom", em 96, o primeiro em teatro da atriz Ana Paula Arósio.
Ele é um dos fundadores do Departamento de Artes Cênicas da Unicamp. Mesmo afastado da vida acadêmica, continua ministrando cursos de direção teatral pelo Brasil. Serviço - Honra. De Joanna Murray-Smith. Direção de Celso Nunes. Duração: 100 minutos. De terça e quarta, às 21; quinta, às 18 e 21 horas. R$ 20,00 e R$ 30,00. Teatro Cultura Artística - Sala Rubens Sverner. Rua Nestor Pestana, 196, tel. 258-3616. Até 16/12. Estréia amanhã (22) para convidados.

mockup