CELIA MUSILLI
Quando o texto é necessário para registrar a beleza
Manhã de quase verão e, finalmente, a sensação de que o frio se dissipa como lembrança trincada de emoções on the rocks. Há quem reclame das noites de calor, quando o lençol gruda no corpo. Mas a 35 graus começamos a agir por instinto.
Acho o verão criativo, me inspira a malemolência e o ócio. O livre pensar nas manhãs ainda frescas, quando não sei o destino do dia. Porque o dia só se define ali pelas 14 horas. Antes, há uma expectativa de linhas que não se cruzaram, de conversas não tecidas, de desejos não consumados. Depois das 14, o dia já tem o seu tom. Já sabemos se tomou a reta das rotinas ou a sinuosidade da fantasia, em que um sorriso ou um doce na língua nos mostram que há sensações tão simples que dependem do corpo. É nele que recolhemos cotidianamente a prova de que estamos vivos, através de sabores, cheiros, impressões visuais, tatos. Ah! Os tatos. O papel sob meus dedos e as uvas geladas. Ah! Os tatos! A aspereza e a maciez, a malícia e os atos.
Amo tanto o verão, como se meu sentido tropical pedisse a dádiva da água, do cheiro do shampoo, da vontade de ficar sem roupa depois do banho, em vez de correr para me cobrir do frio. Gosto do verão, quando coloco um vestido leve, sandálias que não pesam e a pele é a cobertura que só pede sol e ar. Meus pulmões se enchem em inspirações profundas e mornas, como a respiração de um bicho.
Gosto do verão quando vejo estrelas no céu e uma lua abençoada marcando ciclos que se expandem e se recolhem, como a mulher grávida que dá a luz depois de se arredondar inteira. E pergunto onde nascem os filhos da lua, que devem ter caras redondas, cor pálida e berços azuis. Nunca vimos os filhos da lua, mas não há como negar que ela resplandece na gravidez.
Em noites quentes o céu vibra de forma diferente. Ou será porque saímos de casa e, menos protegidos, nos dedicamos a olhar o que não vimos antes? É preciso enxergar noites inteiras.
Poderia falar indefinidamente do verão, mas aí nos perderíamos em ideias e a vida chama pontuando a rua com indicações de primavera, flores estupendas e um pássaro que insiste num canto entrecortado como se dissesse: É tudo muito breve e merecemos ciclos de prazer e a celebração dos dias, um a um, sem emoções on the rocks.
Sou uma mulher dos trópicos.
Fantasma da Ópera
O compositor Andrew Lloyd Webber anunciou que O Fantasma da Ópera, musical feito por ele, terá uma continuação. A nova produção se chamará O Amor Nunca Morre. O começo da temporada está marcado para março do ano que vem, em Londres. Em novembro de 2010, o espetáculo será encenado em Nova York e, em 2011, na Austrália. O musical já tem um site oficial: www.lovenever dies.com.
Sequência
O cineasta Quentin Tarantino não descarta a possibilidade de fazer uma sequência de Bastardos Inglórios. O projeto foi anunciado no 7º Festival de Cinema de Morelia, no México, no domingo passado. Tarantino afirmou que gostaria de mostrar o que se passa com os personagens antes ou depois dos acontecimentos exibidos em Bastardos Inglórios.
Olhar Apurado
Está prevista para 2010 a estreia do musical da Brodway Hair, no Brasil. Cláudio Botelho e Charles Muller adquiriram os direitos em Nova Iorque e vão dirigir o espetáculo. Foi exatamente está produção que revelou a atriz Sônia Braga, que na época tinha apenas 18 anos.
Na disputa
O Brasil está concorrendo em cinco categorias ao prêmio Emmy. E a Globo é a campeã em indicações: indicada a melhor novela está Caminhos das Índias, a melhor minissérie, Maysa, melhor produção de arte, Por Toda Minha Vida - Mamonas Assassinas, melhor comédia, Ó Pai Ó e melhor infantil, com Natal do Pequeno Imperador. Com essas indicações, o Brasil só fica atrás do Reino Unido, que está concorrendo a nove prêmios. O resultado será divulgado no dia 23 de novembro.





