CÉLIA MUSILLI - Ufa! Ou melhor, UFO
Em dezembro aconteceu um congresso de ufologia em Foz do Iguaçu. O assunto é controverso, mas provoca muito interesse. O depoimento de militares da Força Aérea Brasileira sobre o avistamento de óvnis surpreende. Um dos relatórios mais convincentes é do brigadeiro José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque reunindo mais de 4500 páginas, liberadas em 2009, sobre a presença de uma frota de óvnis no espaço aéreo brasileiro em 1986. Parece filme, mas o arquivo confidencial relata com detalhes que "o Sistema Aéreo de Defesa Nacional foi acionado em 19 de maio de 1986, depois de objetos voadores não identificados terem sido detectados por radares e visualizados pelo operador de torre de controle aéreo de São José dos Campos."
Ah! São José dos Campos, sempre achei aquele céu misterioso, embora nunca tenha visto um óvni por lá. Minha única experiência, neste sentido, foi na Chapada dos Guimarães (MT), mas isso não vem ao caso. Meu depoimento não é nada, nadinha mesmo, perto do depoimento de um brigadeiro, este sim, versado em assuntos que se passam entre o céu e a Terra.
Parece filme, mas ele levou a Foz o relatório que mostra a mobilização das autoridades quando os óvnis foram avistados no Brasil. Cinco caças Mirage levantaram voo das bases aéreas, na ocasião, para interceptar os objetos voadores, cuja "velocidade variava de forma a permitir uma aproximação, como também afastamento repentinamente... refletindo, de certa forma, inteligência". Ufa, quer dizer, UFO.
Esta história de óvnis sempre me pareceu uma questão quase de fé. A gente acredita ou não, porque ainda esperamos a prova cabal, algo como a invasão de NY pelos alienígenas, como sugeriu Orson Welles em seu célebre programa de rádio nos anos 30. De lá para cá, avançamos pouco. Da minha parte, acredito em vida inteligente em outros planetas, como não? É no mínimo narcísico os terráqueos pensarem que só eles existem no universo. Algo assim como o filho que se acha o centro do mundo ou as pessoas que acreditavam que o Sol girava em torno da Terra. Mas tenho que confessar que meu desejo secreto - e narcísico - é que os "seres inteligentes" invadam a Terra e levem daqui os funkeiros, os cantores/compositores de música sertaneja e suas variações universitárias, todos os fãs e criadores de axé e demais modalidades do lixo/midiático/cultural.
Mas acreditando na possibilidade de vida inteligente interplanetária, acho que os E.T.s não levariam esta gente daqui, embora eu torça e trame pela sua abdução. Mas quem vai querer ouvir, em outro planeta, aquele batidão e uma voz esganiçada cantando "Jonathan II" com letra tão "edificante": "De segunda a sexta, esporro na escola/ sábado e domingo, eu solto pipa/ mas eu já estou crescendo com muita emoção/ e eu já vou pegar um filé com popozão".
É de doer e dói sempre quando passam carros, com aquelas poderosas caixas de som, "atolando" este tipo de música em nossos ouvidos. Dá vontade de pedir: "Ah! Orson Welles, por favor, chame os E.T.s de novo. Vamos tentar um acordo para que promovam na Terra uma limpeza cultural retirando o lixo ou, pelo menos, reciclando alguns gêneros musicais que existem por aí." Porque não há como ouvir sem dizer ufa! Ou clamar: UFO!
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