CÉLIA MUSILLI - Sob o signo de Libra
Benditos os que vêm ao mundo entre setembro e outubro, os filhos de Libra, que pendem para os dois lados, mostrando na oscilação que tudo muda. Às vezes me irrito com sua inconstância, às vezes me sinto abençoada pela sua mutação, que é sempre mais viva que a certeza da estagnação, os pontos fixos, as ideias prontas, a rotina eterna.
Como balançam os filhos de Libra, na sua delicadeza artística e no seu medo de atracar num porto seguro. Eles sempre preferem as viagens, por terra, pelo mar, pelo ar, ainda que não cheguem a lugar nenhum.
Como mentem os filhos de Libra, não por maldade, mas para evitar que os outros se machuquem , enfeitando a realidade com seu dom de distribuir amor.
Como são diplomáticos os filhos de Libra, verdadeiros dândis, elegantes, sedutores, harmonizados com sua própria natureza. Pertencem ao sétimo signo, estão na metade da roda do zodíaco, fazendo a ponte entre o início e o fim.
Como se comunicam os filhos de Libra, sua vida só existe com o outro, atraindo relações profundas para quem aceita o desafio da sua indecisão. Mesmo quando partem, ficam.
Como são inteligentes os filhos de Libra, protegidos por Atena que ensinou os homens a colher e por Afrodite que simboliza o amor.
Como são analíticos os filhos de Libra, a ponto de pensarem mil vezes antes de tomarem um caminho e sempre sob o risco de mudar de ideia. Quem não gosta do imprevisto, não deve conviver com os de Libra. Mas nunca lhes digam que são indecisos, isso os instiga a perguntas sem fim.
Como são curiosos os filhos de Libra, agem como os gatos que derrubam vasos, fuçam pacotes, disparam perguntas sem freio, mas gostam da intimidade. Digam sempre que os amam em seus ouvidos, sem indiscrição, porque, acima de tudo, como gostam da doçura os filhos de Libra.
(Texto dedicado aos meus filhos librianos Fernão e Gustavo e a todos os que nasceram entre 23 de setembro e 22 de outubro.)
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