Esta semana, em meio às trapalhadas e protestos pela posse de Lula como Chefe da Casa Civil, muita gente se divertiu com comparações entre a situação do ex-presidente e outras celebridades fora do mundo da política. As febris manifestações que antecederam a posse do novo ministro contaram com grampos telefônicos, uma rede de intrigas, a trama de fatos incontestáveis e conversas perigosas entre ele e a presidente Dilma Rousseff. No dia da posse foi marcante o aparato de segurança em Brasília para impedir que os descontentes vazassem o cordão de segurança para avançar a tapas sobre Lula, impedindo-o de se tornar ministro. Quando tudo já parecia resolvido, o controvertido deputado Major Olímpio (SD-SP) gritou "vergonha" no momento em que Dilma discursava, desentalando o grito que estava na garganta de milhões de brasileiros.
Mas Lula tomou posse assim mesmo. Terminaram a cerimônia enquanto urros, apupos e vaias sucediam-se no Brasil inteiro e, quando todos achavam que o espetáculo havia acabado, o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto sustou a posse de Lula uma hora depois dele ter assumido a função. A essa altura muita gente já comparava o ex-presidente à Miss Colômbia Ariadna Gutierrez que chegou a ser declarada Miss Universo em 2015, mas teve que devolver a coroa à Miss Filipinas, Pia Alonzo – a verdadeira vencedora do concurso - porque o apresentador havia trocado os nomes. Na ocasião, depois da decepção de ter sido escolhida por engano, Ariadna escreveu no Twitter: "Para sempre tua Miss Universo, Colômbia!" Sem a mesma beleza, Lula após ficar no impasse de ser empossado e desempossado, também poderia escrever: "Para sempre teu ministro, PT!" O que, devido às circunstâncias, poderia se converter na mensagem "PT, saudações." Para grande alívio de metade da nação.
O fato é que o novo ministro virou motivo de piadas. Na internet, encontra-se facilmente Lula de peruca chanel, maquiado e com o vestido rendado da posse de Dilma, como se tomasse o lugar da presidente. A diversão extra fica por conta da orelha pontuda e das pernas peludas, nada que uma boa lâmina não resolva.
De brincadeira em brincadeira, decepção em decepção, o fato é que a população não está nada contente. Graves acusações e os escárnios contidos em gravações interceptadas pela Operação Lava Jato – mostrando conversas entre Dilma e Lula – aumentaram a insatisfação geral, com particularidades que afetam com mais ênfase os paranaenses que acharam um deboche Lula tratar o tribunal do juiz Sérgio Moro como "República de Curitiba," um território autoritário no ponto de vista dele. Assim, Lula tentou inverter a situação cada vez mais visível de ter sido blindado para não encarar as investigações da PF, fugindo do enfrentamento com Moro que deixou o caso de Lula com a suspensão do sigilo sobre o processo. Com isso, antes de entregar a ação para o STF, Moro fez à sociedade uma espécie de prestação de contas de seus atos até o último momento quando, ao suspender o sigilo, tornou públicas uma série de conversas comprometedoras entre Lula, Dilma e membros de seu partido. Na quinta-feira da suspensão da posse do novo ministro, escrevo este artigo sem saber dos desdobramentos. Só sei que mais apegado ao poder do que Miss Colômbia, certamente não bastará a Lula ter momentos de glória e outros de ocaso, como um político ambicioso ele quer cetro, coroa e salto alto pelo resto de sua vida. Ele nunca será um desapegado como Mujica, nem um carismático como JK que jamais perdeu a elegância. Sua história política, com tantos incidentes, acaba de ganhar contornos de uma ópera bufa, de herói a vilão foi apenas um passo, com alguns telefonemas no meio cheios de escárnio e palavrões.

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