Passei o ano ouvindo meus filhos falarem no fim do mundo. O filme 2012 e a profecia dos maias provocaram muita brincadeira, algumas discussões e justificativas para a preguiça de estudar, afinal: ''o mundo vai acabar mesmo, mãe!''
Quando chegamos quase ao fim do ano - a data da catástrofe seria 21 de dezembro - e eu quase já me esquecia dos maias, Nova York e outros estados americanos sofrem os efeitos do furacão Sandy, assim como o Caribe e o Canadá. Vendo as consequências e a devastação na TV ficou quase impossível não ligar as duas coisas: 2012 e a ocorrência dos desastres naturais. Claro, desastres assim acontecem todos os anos, não faz muito tempo e vimos com horror a ocorrência de um grande tsunami. Mas os detalhes que cercam a tal profecia maia, o aquecimento global, as explosões solares, fazem eco com os acontecimentos de agora e não fossemos povos ''civilizados'' decerto não duvidaríamos nem um minuto da ligação de uma coisa com a outra. Mas, racionais, saímos pela tangente, colocando tudo no saco das catástrofes que podem acontecer em qualquer dia, em qualquer tempo.
Antes de sermos alimentados com tanta ciência, quando os homens caminhavam sobre o planeta observando os ciclos naturais sem muitos cálculos, as profecias tinham muito mais força simbólica, com pessoas olhando os céus, pedindo perdão pelos seus pecados e acreditando piamente na ira dos deuses a cada fenômeno. Nem tão crédula, mas também sem desprezar algumas associações, fui reler as coisas sobre 2012, o calendário dos maias e me deparei com algumas curiosidades.
O motivo da catástrofe seriam as explosões solares, ponto para os maias, tendo em vista que as explosões têm aumentado consideravelmente. Haveria uma mudança nos pólos do Sol em 21 de dezembro de 2012, com a Terra sendo afetada fortemente pelos ventos solares. O fenômeno que acontece a cada 5.125 anos mudaria a rotação da Terra e teríamos, enfim, uma inversão total, com o Sol passando a nascer no oeste e a se por no leste. Imagino o assombro que isso não provocaria, sendo o assunto digno dos bons filmes e livros de ficção científica, algo que extrapola a imaginação dos melhores momentos de Aldous Huxley. Como consequência, teríamos depois da catástrofe vários dias no escuro, até o planeta ingressar definitivamente no que seria um novo ciclo. A partir deste ponto, fico pensando em Nova York às escuras nos últimos dias, não porque a Terra inverteu sua rotação mas porque usinas hidrelétricas e outras fontes de energia foram afetadas pelo furacão Sandy, que leva o mesmo nome de uma cantora brasileira que considero, de certa forma, um desastre nacional. Claro que com consequências bem menores. Antes a nossa Sandy que a dos gringos.
Enfim, 21 de dezembro ainda vem aí e uma das grandes desvantagens que vejo nesta hecatombe é que, depois dela, dizem que o tempo passará mais rápido para os sobreviventes, com 16 horas passando a equivaler às 24 dos dias de agora. Por mim, atrasaria o tempo em vez de acelerá-lo. Sonho mesmo é com tempo de sobra, uma civilização cheia de preguiça e anarquicamente ligada a alguns preceitos que meus filhos seguem e que eu só não compartilho por ser a mãe: afinal, para que tanto trabalho, estudo e correria se o mundo vai acabar, ou no mínimo, inverter a ordem do tempo? Talvez, a humanidade precise de imaginação às avessas e crenças em catástrofes iminentes para aprender a viver melhor.

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