CELEBRIDADES - Caso encerrado
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Márcio Maio<br>TV Press 
Às vésperas do fim de Ciranda de Pedra, Domingos Meira não poderia fazer um balanço melhor de seu Alberto na novela. O ator respira aliviado por ter conseguido diferenciar o atual trabalho do que foi feito em JK, estréia dele na emissora. Isso porque, em ambas produções, a época retratada era a dos anos 50. Aproveitei muito da minissérie na composição e me toquei que precisava diferenciar os dois personagens. O humor e essa participação maior no núcleo do vilão Natércio me ajudaram bastante nisso, avalia.
Para personalizar os dois trabalhos, Domingos aproveitou a atividade de advogado de Alberto. Conversou com amigos da área e tentou retratar o cotidiano de um jovem de família rica e tradicional que não precisou batalhar para conseguir o que queria. Sou um ator que nasceu em uma família de médicos. Nunca soube o que é ter vida fácil, explica. Além disso, o tom de comédia dado pela dificuldade de Alberto na hora de se relacionar com as mulheres serviu para aumentar o destaque do personagem na trama. Sem estereotipá-lo. Aos poucos, o lado advogado aflorou mais e pude dar nuances diferentes às cenas que recebia, valoriza.
Aos 30 anos, Domingos já coleciona inúmeros trabalhos como ator, mas, a maior parte deles, nos filmes alternativos que produziu ao lado dos amigos inseparáveis Paulo Furtado, Marcos Mendes e Evandro Ambrósio. Desde 1994 o grupo se reúne para idealizar, filmar, editar e decidir a trilha sonora dos vídeos. Primeiro a gente editava filmando da própria tevê. Depois conseguimos dois videocassetes. Às vezes contávamos com patrocínio, usado para pagar um homem que filmava casamentos para editá-los numa ilha tosca que ele tinha em casa, lembra o ator, às gargalhadas.
Foram esses filmes que o levaram a estrear na tevê. Em 2004, conseguiu um teste para a novela Metamorphoses, da Record, e impressionou a equipe não só com a atuação, mas também com o currículo. A Tizuka Yamasaki mandou me contratarem quando viu que eu fazia filmes com R$ 500 em Botucatu, explica. Depois do fracasso da novela, que dava traço no Ibope, Domingos fez teste na Globo e no SBT. Precisou decidir entre uma vaga na Oficina de Atores da Globo e um papel de destaque em Esmeralda. Optou pela segunda. O SBT me queria para trabalhar. Eu não tinha grana para me manter quatro meses estudando no Rio, lamenta.
A experiência no SBT não foi tão agradável. Na história, Graziela, de Karina Barum, ficava dividida entre o amor de um peão e a segurança de um casamento com Daniel, um empresário honesto, rico e apaixonado por ela, papel de Domingos. O problema é que na versão original o Daniel era gordo, baixinho e bem mais velho, lembra, completando que, aos 26 anos na época, estava em boa forma física. O papel não se encaixava no meu perfil. A escolha dela perdeu a lógica, critica. No mesmo ano, em 2005, foi chamado novamente para a Oficina e, antes mesmo do término, foi convidado para fazer o comunista Sérgio de JK. A boa repercussão de sua atuação garantiu um contrato de três anos na emissora e um papel em Páginas da Vida. Senti que ali, finalmente, minha sorte tinha mudado, brinca o ator, que é contratado até 2009.
Ciranda de Pedra na Globo de segunda a sábado, às 18h.


