CELEBRIDADE
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Márcio Maio<br>TV Press 
Alinne Moraes não se conformou. Ao ler na sinopse de Duas Caras que sua personagem seria mais uma menininha apaixonada, a atriz decidiu se rebelar. Para isso, aproveitou a ausência de grandes vilões no início da história de Aguinaldo Silva e transformou sua personagem, a mimada e charmosa Sílvia, em uma malvada capaz de matar criancinhas. E conseguiu, em sete meses, fazer da menina esnobe e rica do roteiro inicial uma depressiva, psicopata e, enfim, ninfomaníaca. Me livrei de todos os preconceitos e mostrei um lado meu que ainda não tinha sido explorado na tevê, mais sexy e despudorado. Pelo visto, deu certo, opina.
O fato de ter trabalhado em teatro ajudou Alinne a tentar novas formas de atuação: O tempo é outro no palco. Trouxe as lições e toda a disciplina que aprendi no teatro e resolvi trabalhar a Sílvia de um jeito diferente do que eu costumava usar nos meus papéis. Ela conta que desenvolveu mais o lado técnico, e aprendeu o que funciona melhor em cada situação. Decidi construir uma garota mais seca. Achei melhor não trabalhar muito o carisma da personagem. Experimentei um tom de voz mais grave, até bem próximo do meu. Os detalhes funcionaram e o papel cresceu e tomou proporções que eu não imaginava. Mas também me deu muito mais trabalho e me deixou arrasada no início, confessa.
O esforço deu tão certo que a mocinha adulada nas ruas começou a levar olhares enviezados. Hoje em dia as pessoas me olham torto nas ruas, me deixam esperando nas filas em lojas, enfim, mantêm uma certa distância. Recentemente, rasgaram o meu rosto em diversos cartazes de uma campanha de uma marca de jeans no Sul do Brasil. Isso mostra que a Sílvia pegou como vilã. A Sílvia se tornou uma personagem má para valer, capaz de dezenas de atitudes que eu jamais imaginei interpretar. Por isso mesmo precisei me despir de vários preconceitos para conseguir o resultado que hoje se vê no ar.
Mesmo sendo uma atriz ainda tão jovem, Alinne já consegue fazer uma autocrítica e é uma autocrítica bem severa. Há pouco tempo reprisaram Coração de Estudante, que foi minha primeira novela. Nossa, bate um certo constrangimento de ver aquelas cenas, como eu era fraquinha! Agora já fiz algumas novelas, consegui protagonizar um folhetim, fazer uma menina com um tumor, interpretar uma homossexual e viver uma psicopata. Acho que preciso só de um próximo trabalho que fuja desse lado tão polêmico ou vilão, analisa.


