Por trás dos cachos dourados e dos olhos azuis angelicais, esconde-se uma Bianca Rinaldi muito determinada. Foi com todo esse empenho que ela, aos 19 anos, conhecida no Brasil inteiro como ex-paquita, não deu bola para críticas ou preconceitos e foi estudar interpretação. Como atriz, não estourou na Globo, onde fez papéis pouco relevantes. Mas depois de protagonizar novelas como ‘‘Pícara Sonhadora’’ e ‘‘Pequena Travessa’’, no SBT, chamou a atenção de Herval Rossano que a convidou para interpretar a personagem título de ‘‘A Escrava Isaura’’, na Record. Foi o começo da ascensão na carreira. Bianca assinou contrato até 2010 com a emissora, fez sucesso no exterior e, em seguida, protagonizou outro folhetim, ‘‘Prova de Amor’’. ‘‘A Isaura vai ficar para sempre. Ganhei visibilidade internacional’’, valoriza a atriz.
  No primeiro escalão de atores da Record, Bianca encarna agora a acrobata Maria, em ‘‘Caminhos do Coração’’. Além de batalhar para manter o circo da família de pé, a personagem protagoniza cenas de lutas marciais para se livrar dos vilões que a perseguem na história e que a acusam de ter cometido um assassinato. ‘‘É uma justiceira, uma heroína de ação, um papel diferente e que era meu sonho fazer’’, empolga-se Bianca.

A Record tem um elenco mais restrito do que a Globo, emissora onde você começou. Isso lhe deu mais oportunidade de ganhar papéis de peso em novelas?  É a Record que está me dando as melhores oportunidades. Imagino que os atores que são funcionários da Globo tenham chance também. Mas penso muito no aqui, no agora. Nunca parei para analisar que possibilidade eu teria se estivesse em outro lugar. A Maria, minha personagem atual, por exemplo, é uma chance rara na televisão brasileira. Fazer uma heroína de ação é a realização de um sonho profissional.
‘‘Caminhos do Coração’’ é a sua terceira novela na Record. Em todas você foi a protagonista. Como você analisa sua trajetória na emissora?
  Estou muito feliz com o desenrolar da minha carreira desde que fiz ‘‘A Escrava Isaura’’. Foi uma experiência especial, que vai ficar marcada para sempre na minha vida. Essa novela me deu repercussão internacional. No exterior, eles idolatram a personagem. Acho que vou colher frutos desse trabalho a vida inteira. Estive há pouquíssimo tempo nos Estados Unidos e fiz muito sucesso por lá. Fui divulgar ‘‘Prova de Amor’’ também em Portugal. Mas com a Isaura é diferente. Eles me vêem como uma estrela. Depois disso, veio a Joana de ‘‘Prova de Amor’’, novela que também foi um sucesso. E tenho contrato assinado com a Record até 2010.
E como foi a sua preparação para incorporar a heroína e acrobata circense de ‘‘Caminhos do Coração’’?
  Fui para o circo entender o dia-a-dia das pessoas que vivem dessa arte. O trabalho de observação é muito importante para o ator. Também li o livro ‘‘Circo Nerino’’, que conta a história de um dos maiores circos do Brasil. O mais bacana é que quando a gente vê de fora, acha lindo. Mas só experimentando esse tipo de atividade é que a gente descobre como é difícil. Porque exige muito do corpo e da mente. O que mais me marcou em todo esse tempo de preparação foi ver como as pessoas se dedicam para fazer o circo acontecer. Elas não esmorecem, não abaixam a cabeça por menor que seja a quantidade de dinheiro. Também fiz aulas de trapézio, tecido e defesa pessoal.
A personagem é corajosa. Mas como toda mocinha, a Maria também deve sofrer muito?
  As mocinhas sempre choram, sofrem, foi assim com a Joana de ‘‘Prova de Amor’’ e com a Isaura. Mas a Maria tem um diferencial. Ela bate muito. Como vai ter de provar a sua inocência em relação à morte do Sócrates, a personagem busca fazer valer a justiça o tempo todo. A Isaura tinha o Leôncio infernizando a vida dela e a Maria tem o delegado Taveira, personagem do Gabriel Braga Nunes. Ela vai ter de se mexer para driblá-lo.

mockup