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quarta-feira, 18 de abril de 2007
Gabriela Germano<br> TV Press 
Nem as grosserias de Antenor arranham a imagem de Tony Ramos. O poderoso e duro empresário que o ator encarna em ''Paraíso Tropical'' não diminui a admiração do público pelo profissional que ficou mais conhecido por interpretar homens corretos na tevê. Prova disso é que, no meio da entrevista, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio de Janeiro, um gari se aproxima e pede para tirar uma foto com ele, emendando um ''estou gostando de ver o Antenor, hein?!''.
Aos 59 anos e depois de fazer mais de 30 novelas, o ator não é respeitado só pelos telespectadores, mas também por colegas de trabalho e inúmeros autores que sempre lhe confiaram personagens relevantes. Muitos, de bons moços. Outros nem tanto. O atual papel escrito por Gilberto Braga especialmente para ele é um desses. De dar raiva em muita gente, mas de causar admiração em tantos outros. ''O Antenor é repleto de contradições. Tem uma vida profissional correta. Mas trai a mulher. Acho um horror o que ele faz com a companheira. Mas tem gente que acha uma beleza'', opina Tony, ao mostrar os dois lados da figura que interpreta e levantar uma discussão sobre ética.
O que mais atraiu você no personagem Antenor?
É uma figura admirável, contraditória. Ainda não foi dito ao público, mas o Antenor é um homem que foi garoto-prodígio e teve uma infância dolorosa e sofrida em função das prisões do pai. Ele tinha muita vergonha disso. É uma série de fatores que promove as contradições no Antenor. O lado pragmático que ele tem no trabalho não tem nada a ver com o machismo empedernido dele. É um conquistador, sente-se poderoso e com isso ele fica mais tentado a seduzir as mulheres. Em nome do ''eu sou macho'', ele faz o que lhe vem à cabeça esquecendo-se de uma relação linda que tem com a mulher. Já na profissão ele sabe o que quer, é duro. Um capitalista na acepção da palavra. Não passa a mão na cabeça de ninguém, nem do Daniel, que secretamente ele adora como filho, apesar de jamais admitir isso. O Antenor não admite ser surpreendido numa emoção maior. Se ele se emocionar, fecha-se no banheiro privativo que ele tem na sala. Quando ele se lembra do filho, não chora na frente de terceiros mas é capaz de desabar no banheiro.
São mais de 40 anos de carreira e 30 novelas no currículo. Mas com Gilberto Braga, você tinha feito apenas a minissérie ''O Primo Basílio''. Porque demorou para atuar em uma novela dele?
Realmente, com o Gilberto Braga, eu só tinha trabalhado na minissérie, em 1988. Somos amigos desde essa época e nunca me desencontrei dele. Temos amigos em comum, já o visitei várias vezes e a gente sempre cogitou a idéia de fazer uma novela juntos. Não há nenhum segredo nessa demora, a não ser o fato de nossas agendas não combinarem. Mas quando ainda estava em ''Belíssima'', o Gilberto disse que teria um personagem para mim, no folhetim que entraria no ar logo depois da novela de Manoel Carlos. Topei na hora. Quando acabou ''Belíssima'', ele ofereceu um jantar ao Sílvio de Abreu e me deu a sinopse do personagem. Aí já comecei a imaginar nuanças para o Antenor.
Em relação à repercussão do seu personagem, que avaliação você faz até agora?
O que me interessa em relação à repercussão de uma novela é quando chego nas ruas e alguém diz: ''aí, Antenor, tá mandando ver, hein''. Isso é novela para mim, o resto é cosmético. Vou a recepção social, mas gosto da manifestação das pessoas. Eu olho para o povo e não cortejo mais ninguém.
E os grandes heróis românticos estão em crise ultimamente?
Muitos, ao ver esse mundo do jeito que está, não admitem um personagem com uma conduta absolutamente correta. Não admitem uma pessoa ética. Ela vira chata. Porque a moral vigente ficou elástica e as pessoas, quando se deparam com uma pessoa que tem uma correção de pensamento e de conduta, criticam. Foi o caso do Nikos, em ''Belíssima''. Ele jamais se revelava para a Julia enquanto ela não resolvesse sua vida com o personagem do Marcelo Antony. Muitos diziam que o personagem era um babaca. Não. Ele tinha ética. No caso do Antenor, o mundo é tão elástico que alguns vão achar que é uma beleza ele trair a mulher. Eu acho um horror. Ele ter uma vida desregrada pode ser simpático aos olhos dos machistas, mas, cá para nós, é desleal.


