CELEBRIDADE - VERA HOLTZ está toda prosa
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quarta-feira, 11 de julho de 2007
Thaís Kuzman<br> Agência Estado 
Todo vilão de respeito descende de uma estirpe de maldosos e trambiqueiros, o que é a desculpa perfeita para sua personalidade perturbada e a extensa ''carreira de crimes''. Com Olavo (Wagner Moura), da novela da Globo ''Paraíso Tropical'', não poderia ser diferente. Sua mãe, a socialite falida Marion, vivida por Vera Holtz, faz qualquer coisa por dinheiro e não tem o menor instinto maternal. Ainda assim, a personagem é uma das mais queridas da trama de Gilberto Braga e confirma a excelente fase da atriz de Tatuí, a 135 quilômetros da capital paulista. Ela também aproveita o bom momento para lançar um livro, ''Vera Holtz & Família'' (Editora Petra).
''A Marion tem instinto de sobrevivência, não é nada maternal. Ela vai à caça apenas para se preservar'', conta a atriz de 54 anos, que se delicia com as artimanhas da personagem. Preocupada com a falta de dinheiro, Marion começou a planejar pequenas reuniões em sua casa para apresentar ''moças'' aos conhecidos ricos. ''Ela é muito determinada. Agora decidiu virar promoter, não é? Ela oferece diversão para os amigos'', conta, rindo.
A atriz também se diverte ao falar da fictícia família formada apenas por vilões, mas de espécies bem diferentes. ''O Olavo é o vilão jurídico, pois as armações dele envolvem mais papeis, números. A minha personagem é vilã pessoa física e ela ainda terceiriza os trambiques, não é? O Ivan, que é um ratinho de praia, faz sempre o serviço sujo e se enrola por pouco.''
Contente com a repercussão da personagem, Vera diz que conversa com muitos fãs quando não está em período de gravação e se sente feliz por mostrar que uma mulher de 50 anos pode ser atraente . ''Parece que estou inaugurando um novo padrão estético, pois interpreto mulheres mais cheinhas, que têm uma vaidade natural, nada muito exacerbado'', diz ela, frisando a importância de um outro grande papel de sua carreira. ''A Ornella (da novela ''Belíssima'') quebrou uma barreira ao namorar o bonitão interpretado pelo Cauã Reymond. Hoje não tem mais aquilo de olhar um cara mais novo e pensar que poderia ser seu filho.''
Não foi apenas a fogosa Ornella que deixou sua marca na televisão brasileira. Outros papéis de Vera Holtz ajudaram a discutir preconceitos e problemas sociais, como o alcoolismo de Santana, tratado na novela ''Mulheres Apaixonadas'', de Manoel Carlos, também da Rede Globo. ''A mulher é muito secreta, por isso é bom contribuir para que ela se abra. Muitas espectadoras se abriram comigo'', lembra Vera, que não esconde o orgulho. ''Faço personagens pioneiros.''
Ligação familiar - Faz 30 anos que Vera Holtz mora no Rio de Janeiro, pólo principal de seu trabalho como atriz. Ela só se deu conta disso, no entanto, durante as pesquisas para o livro ''Vera Holtz & Família'', que a atriz lançou recentemente em São Paulo. A obra, escrita por Mercês Rocha, é o resultado de uma intensa pesquisa que durou três anos.
''Há três anos, ao chegar na minha casa em Tatuí, encontrei na minha escrivaninha um pedido da Mercês para fazer um livro sobre minha família. Gostei da idéia na hora'', conta Vera. Depois de conseguir o apoio e a permissão da atriz e de seus familiares, a escritora iniciou o trabalho de pesquisa. ''Ela usou muito tempo coletando depoimentos de parentes. Alguns dos entrevistados já até morreram.''
O resultado são 267 páginas em que Mercês mostra a trajetória dos Holtz, a partir dos avós paternos de Vera. Além disso, a obra traz fotos do álbum de família, que vão desde o começo do século passado até 2006.
A atriz diz que ''Vera Holtz & Família'' foi importante não só para conhecer e relembrar histórias emocionantes e divertidas de seus parentes. Para ela, o livro mostrou sua ligação com tudo o que ficou em sua terra natal, Tatuí. ''O que mais me surpreendeu nessa viagem ao meu passado foi tomar consciência da unidade da família. Mesmo longe fisicamente, há traços de comportamento que são iguais.''


