Jorge Fernando, diretor da novela ''Sete Pecados'', passou o último final de semana em São Paulo para gravar um acidente na Praça Júlio Prestes e fazer umanjo cair no meio da Represa Guarapiranga. Com mais de 30 anos de carreira e de 30 novelas, ele define seu estilo como o diretor do movimento: ''Você nunca vai ver atores sentados em sofá em novela minha.'' Diz que a maior desgraça de um diretor é o intervalo comercial. Nesta entrevista, Jorginho diz que o público está mais exigente e, por isso, uma novela custa R$ 20 milhões.

O telespectador de novela mudou?
As pessoas mudaram, hoje fazem várias coisas ao mesmo tempo. Mais exigente, o telespectador se sofisticou, escolhe mais. As novelas ganharam um público masculino que antes as maldizia. O telespectador das novelas está mais moralista. Acho que como o mundo está um terror, as pessoas querem exercitar a justiça na ficção. Os vilões, que na vida real quase sempre se dão bem, têm de ser punidos na novela.

E as novelas, mudaram?
Elas se tornaram mais complexas. Antigamente os atores principais eram só Regina Duarte, Cláudio Marzo e um vilão. Hoje, 16 atores lideram núcleos dentro de uma novela. Trabalhávamos com um elenco de 40 atores, ''Sete Pecados'' tem 76. Eram 26 cenas por capítulo, hoje são 50. Antes, as externas eram usadas para arejar o capítulo, agora mais de 50% da novela é feito na rua. Isso fez com que encarecessem, o capítulo custa hoje por volta de R$ 110 mil, o preço total de uma novela é R$ 20 milhões.

Buscar a audiência é um tormento?
''Sete Pecados'' tem registrado média de 31 pontos no Ibope, audiência maravilhosa em qualquer lugar do mundo. Mas como essa faixa de horário já conquistou índices maiores, passa a ser comparativamente baixa. O problema é que o comportamento das pessoas está mudando. Às 7 da noite, em São Paulo e no Rio, as pessoas estão paradas no trânsito e não na frente da TV. A entrada dos comerciais é uma desgraça porque se abrem os flancos para perder o telespectador.

Como você faz para combater esses problemas?
Utilizo o humor e o movimento. Você não vê, em novela minha, atores sentados no sofá, eles se mexem o tempo todo. Também não gosto de fazer coisas muito realistas, não faço imitação da realidade, minhas cenas de sangue se tornam espetáculo, as lutas viram coreografias.

Qual o seu maior sucesso e o maior fracasso na TV?
O que deu menos audiência foi ''As Filhas da Mãe'', em que eu arrisquei muito, eram histórias fragmentadas como várias sitcoms entrelaçadas. Mas o clima não estava para ela, foi ao ar logo depois do bode do 11 de Setembro. Os sucessos são mais numerosos: ''A Próxima Vítima'', ''Que Rei Sou Eu?'', ''Brega e Chique'', ''Alma Gêmea'', ''Chocolate com Pimenta''...

Quem gostaria de ter dirigido, mas que não pôde?
Glória Pires, que foi minha colega de elenco em ''Água Viva''. Como vim do subúrbio (Del Castilho), foi um sonho dirigir Glória Menezes, Tarcísio Meira, Tony Ramos, Fernanda Montenegro. Foram eles que me deram credibilidade no início da carreira.

Desde quando você escala sua mãe para novelas?
Desde 77, quando meu pai morreu e ela ficou superdeprimida. Louise Cardoso colocou a minha e a mãe dela para fazer curso de teatro. Escalei as duas como figurantes, no papel das aias da rainha, em ''Que Rei Sou Eu?''. Ela foi melhorando, galgou um espaço merecido e é uma atriz. Hoje ela é Corina, uma ex-vedete de teatro de revista, uma mistura de Luz Del Fuego e Dercy Gonçalves.

Qual é o seu pecado capital?
A gula é o mais óbvio, mas também a ira. Acho que com essa novela todo mundo começou a pensar nos seus próprios pecados. Aqueles que são perdoados por você mesmo todos os dias.

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