A história de Paola Oliveira, 24 anos, renderia um bom roteiro para novela. Atualmente dando vida à primeira protagonista, Sônia, a mocinha de ''O Profeta'', a artista começa a colecionar sucessos em uma carreira que, na opinião de amigos e de especialistas, promete ser longa. Mas também acumula sequências que faria a mais corajosa das heroínas vacilar.
''Ela começou com um papel secundário e, ao ser escalada para um principal, agarrou a chance e está muito bem. Sua personagem é densa, de época, não é fácil de fazer. É gratificante ver alguém tão talentoso. Paola é a nova estrela da TV'', diz Mauro Alencar, autor do livro ''A Hollywood Brasileira - Panorama da Telenovela no Brasil''.
Mas, como em um enredo de folhetim, a atriz que é apontada como revelação por pouco não deixou os sets para trabalhar em um consultório. Nascida e criada no bairro da Penha (zona leste de São Paulo), a filha do policial reformado José Everardo da Silva, 56 anos, e da enfermeira e estudante de medicina Daniele de Oliveira, 41 anos, inspirou-se na trajetória da mãe para escolher o que faria no futuro. ''Cresci vendo minha mãe trabalhar com saúde, achei que queria aquilo para mim. Fui fazer faculdade de fisioterapia'', conta Paola.
Como não queria deixar o pagamento dos estudos sob a responsabilidade da família, decidiu, aos 17 anos, que ia trabalhar. ''Comecei a ouvir ''você é bonita, por que não tenta ser modelo?'. Eu resolvi arriscar.'' A carreira no mundo da moda foi bem-sucedida e contabiliza 60 campanhas publicitárias. ''Ela é carismática e profissional, chega aos compromissos com antecedência, nunca atrasada'' conta Demy, empresária da loira há sete anos. ''A discrição em relação à vida pessoal agrada aos clientes. Ninguém quer associar a imagem de um produto a um escândalo'', analisa.
A atuação em comerciais despertou o interesse da então modelo para a dramaturgia. Fez cursos de interpretação no Teatro Escola Macunaíma e na Escola de Atores Wolf Maya. A primeira experiência na teledramaturgia, entretanto, não deixou saudade. Ela participou da problemática novela ''Metamorphoses'' (2004) na Record, que teve o final antecipado. Depois, fez testes para produções da Globo, como ''Malhação''. Na falta de um convite para a TV, quis abraçar a fisioterapia. ''Ia prestar concurso, aí veio o convite para ''Belíssima'''.
A espevitada Giovana revelou Paola para o Brasil e traz doces recordações. ''O que mais tinha em comum com a Giovana era a molecagem, ela brigava, batia a porta. Eu também surto quando acho que é necessário.'' Os colegas de ''Belíssima'' se renderam ao talento dela. ''Paola não é deslumbrada, não faz as coisas por fazer, só para ficar famosa. É difícil ver uma estreante como ela'', fala Irene Ravache. ''Ela leva a profissão a sério, estuda, não se entusiasma em ser apenas mais uma carinha bonita no vídeo. Seu objetivo é ser uma boa atriz'', diz o autor Silvio de Abreu.
Apesar de a estréia na Globo ter rendido elogios, o convite para a primeira protagonista surpreendeu a atriz. ''Sei que tive sorte por ter sido escolhida, mas também trabalhei para isso. Fiz a Giovana com dedicação'', fala Paola. ''O Profeta'' está no ar desde outubro, mas a atriz ainda sente frio na barriga ao vestir o figurino da sofredora. ''O que todo ator espera é um papel como esse, que é complexo. Sônia é uma personagem que tem problemas reais. Saio do estúdio cansada, mas estou amadurecendo como atriz por causa dela'', conta a intérprete, que se prepara para novo drama na ficção: ela vai engravidar de Marcos (Thiago Fragoso), mas verá o amado se casar com Ruth (Carol Castro). ''Ela é como eu, nunca desiste, tira força não sei de onde para dar a volta por cima nos piores momentos da vida.''
Dalton Vigh, o Clóvis da novela das seis, está impressionado com o desempenho da colega. ''Ela é uma atriz esforçada, estudiosa, superprofissional. Tenho a preocupação de não machucá-la (nas sequências de agressão), mas ela embarca, pede para eu bater de verdade. Tenho certeza de que terá uma carreira brilhante.''
A dupla de autoras da trama da Globo afirma que acertou na escalação. ''Embora a gente só conhecesse a Paola de ''Belíssima', não teve nenhuma dúvida em apostar nela como protagonista. E ela foi corajosa, aceitou sem pestanejar'', fala Duca Rachid. ''Estamos adorando o trabalho dela'', faz coro Thelma Guedes.
Desfrutando o bom momento, Paola se diverte ao olhar para o passado e relembrar que nunca previu que seria uma celebridade. ''Fui uma criança e uma adolescente comum. Não era a mais bonita da vizinhança, nem a mais popular do colégio. Era uma menina normal, que fazia amizade com facilidade. Não era daquelas que todos paravam para ver quando chegava'', conta, sem falsa modéstia.
Como ninguém pôde prever o seu sucesso, ela também prefere não arriscar sobre o que vem por aí. ''Se o Marcos pudesse fazer uma previsão sobre o que vai acontecer comigo, gostaria só de ouvir dele que eu vou continuar sendo feliz como sou.''
Porém, a descendente de italianos e espanhóis mostra as garras sobre os planos profissionais. ''Quero mais desafios na carreira. Não vou ser só a mocinha, também quero fazer uma mulher feia, uma engraçada, uma vilã. Se eu tiver que brigar para conseguir esses papéis, vou brigar.''
Paola é centrada e decidida quando o assunto é trabalho, mas perde a linha quando o papo é cuidados com a beleza. Dona de medidas perfeitas - 1,74 m de altura e 54 kg -, a bela não dorme de maquiagem, é fã de cremes, mas é inimiga da balança. ''Se pudesse, vivia atracada nos doces. Chocolate é a minha perdição. Abusei nas festas de fim de ano e agora preciso perder pelo menos dois quilos.'' Ninguém a condenará, não é mesmo?

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