CELEBRIDADE - 'Sou estourada como a Marilda'
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quarta-feira, 01 de agosto de 2007
Leila Reis<br> Agência Estado 
Toda semana ela é Marilda, uma cabeleireira extravagante, lutadora, cujo principal defeito é escolher o homem errado. Depois de sete anos vestindo a personagem, Andréa Beltrão diz que já não sabe mais que é uma e outra. ''Se não tivesse a sorte de conhecer meu marido maravilhoso, eu seria igual a ela.'' Maurício Faria, o marido, é diretor do programa e do filme ''A Grande Família'', que vai participar de um festival em Nova York. Nesta entrevista, Andréa fala de sua preferência por Zelda Scott, sua personagem em ''Armação Ilimitada'', série que revolucionou o modo de fazer TV e que acaba de sair em DVD, e da qualidade da televisão: ''Programas bons e ruins a gente vai ter sempre, porque estamos numa democracia.''
O que significa participar de um programa de humor de qualidade?É um privilégio no sentido de poder conviver com aquele elenco e equipe técnica superbem entrosados há sete anos. O texto é muito bom e o ambiente é maravilhoso. Então, mesmo trabalhando dez horas por dia, tudo é facilitado.
A que você atribui o sucesso de ''A Grande Família''?
Poderia arriscar que é gostoso ver na tela uma família interessante, inteligente e com problemas da maioria das famílias brasileiras, sem apelação. Sou muito ruim de definir, mas acho que o que atrai é a graça, a surpresa de cada episódio.
A família brasileira se reconhece no programa?
O Brasil é um gigante com tipos muito diferentes de família. Mas acho que a família do Lineu e da Nenê representa bem a família urbana de classe média baixa. Acho que tem um espírito da tolerância que toda família deseja: os parentes brigam, mas sentam juntos na hora do almoço.
Quanto de Marilda você tem?
Assim como a Marilda, eu trabalho muito, sou meio estouradona. Marilda é o máximo porque é uma mulher sozinha, é politicamente incorreta porque fuma, bebe, vai para o bar para paquerar, pega cafajeste, mas é superética e educada. Está sempre disposta a ajudar os amigos. Mas tem o dedo podre para homem, só escolhe cafajestes. Se não tivesse a sorte de conhecer meu marido maravilhoso, eu seria igual a ela. Olha, já faz tanto tempo que interpreto Marilda que já nem sei quem sou eu e quem é ela.
Qual é sua melhor personagem: Zelda Scott, de ''Armação Ilimitada'', ou Marilda?
Tenho um xodó muito grande pela Zelda, porque ela marcou minha entrada na TV há 20 anos. Marilda é uma agregada da família, mas Zelda era a cabeça da série com Juba e Lula e cada episódio era diferente: eu fazia papel de homem, de extraterrestre, nega maluca, índia, mulher fatal, gorda. A linguagem era de história em quadrinhos, tudo feito com uma câmera só, então as cenas tinham de ser feitas cinco, seis vezes. Zelda, Juba e Lula formavam um triângulo amoroso que criava um menino de rua. Isso tudo, sob direção do Guel Arraes, deu uma mistura muito boa. Deu filhotes e arejou um pouquinho o modo de fazer televisão.
Novela nunca mais?
Não, adoro novelas. Mas faz tempo que não faço, porque não tenho sido chamada. Não sei se não presto mais para novelas ou se é porque estou presa ao programa.
Qual papel que você queria e não te deram?
A única vez que pedi um papel, me responderam: ''não, porque você é feiozinha'' para ser a princesa.
Que novela era?
''Que Rei Sou Eu?'', depois disso nunca mais pedi papel nenhum.
Quem fez foi a Cláudia Abreu, não é?
Foi, a Cláudia tem cara de princesa.
O que você mais gosta de fazer: teatro, cinema ou TV?
De todos. Às vezes você está fazendo uma peça chata, mas tem a novela para se divertir. Tenho uma certa quedinha pelo teatro; juntei meus caraminguás e comprei, com a Marieta Severo, o Teatro Poeira, no Rio. No fim de agosto, nós duas estrearemos lá ''As Centenárias'', de Sávio Moll, com direção de Aderbal Freire.
Você é contra a classificação indicativa por faixa etária?
Não gosto de nada que me impeça de fazer o que eu quero.


