CELEBRIDADE - Sem medo do relógio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Ana Clara Werneck<br> TV Press 
Elizabeth Savalla vive a personagem mais vaidosa de sua carreira em ''Sete Pecados'', da Globo. Enquanto Rebeca, a mãe da patricinha Beatriz, de Priscila Fantin, faz de tudo para parecer cada vez mais jovem através de uma infinidade de tratamentos de beleza, a atriz que a encarna é famosa por ser da turma dos que preferem manter-se ao natural. Mas confessa que já foi ao consultório de um cirurgião plástico. Só para fazer laboratório para a novela mesmo. ''Ele me contou cada detalhe terrível sobre estes procedimentos! Estou fora!'', conta, aos risos. ''Se ficar toda dura, sem expressão, como vou atuar?'', questiona. Com o intuito de tornar mais reais todos os tratamentos que Rebeca realiza ao longo da trama, que vão desde implante de silicone nos seios até experiências mais exóticas, como aulas com uma ''personal trainner'' para ginástica facial, Elizabeth tem recorrido a apetrechos que nunca sonhou que usaria. ''Quando a personagem colocou silicone, por exemplo, usamos enchimentos. Sempre tive muito busto. Agora estou na moda!'', exclama.
A Rebeca é viciada em tratamentos estéticos e produtos cosméticos. Como você encara a busca incessante pela beleza?
Ela é um espelho da realidade, é um alerta para o comportamento humano atual. A pessoa que está um pouquinho mais gorda se sente o último dos moicanos. Já ultrapassamos a barreira da vaidade, estamos virando narcisos. Virou uma coisa tão absurda, ninguém mais quer envelhecer. Estou feliz porque ainda não fiz plástica nenhuma, não quero ficar com cara de peixe no aquário. Vão sobrar as avós e as bisavós para eu interpretar, não vou ficar sem emprego (risos). Acho que a gente tem de envelhecer com dignidade e bom senso. Também não é para descuidar, mas é necessário moderação. Eu, por exemplo, contratei um ''personal trainner'' antes da novela.
Por muito tempo, você priorizou a tevê. Depois isso mudou um pouco, certo?
Logo que estreei na tevê, em ''Gabriela'', tive que dar uma parada no teatro, que fazia desde a época de escola. Mas aos 30 anos, resolvi me dedicar aos palcos. Naquela época, já era considerada velha para ser protagonista. Por outro lado, estava morrendo de medo de voltar ao teatro porque ele é implacável. Se você abandona o palco, o palco te abandona.
A atuação era vista de forma bem diferente quando você estreou na televisão, em 1975...
Quando entrei para a Escola de Arte Dramática, na USP, meu pai disse que ia me deserdar. Na época, atriz era mulher da vida. Tanto que a carteirinha profissional era do Sindicato de Diversões, como a de prostituta. Só em 1978 foi regulamentada a profissão. Não é como hoje, que virou moda entre as meninas, ganhou todo esse glamour. Essa é uma profissão muito, muito difícil. O mercado continua restrito. Para ser ator tem de começar no palco, tem de gostar de palco antes de tudo. Porque o diretor não ensina a atuar. É como um tocar piano, tem de ter um dom, não basta ter beleza.
Hoje você está em sua 17 novela. Qual foi seu grande aprendizado até agora?
Sinceramente, o maior aprendizado - talvez eu não consiga colocá-lo em prática todos os dias - é o da humildade. A cada dia que passa, percebo que sei menos. Que cada experiência é nova, um personagem novo para dar vida. Nada vem pronto. Para o ator, é imprescindível ser humilde. A ponto de esquecer quem ele é para poder viver outra pessoa. Em segundo lugar, não pode ter preconceito. Cada personagem tem algo a ensinar. Só quando o ator percebe isso ele pode fazer melhor seu trabalho. Apesar das loucuras da Rebeca, eu aprendo muito com ela.


