Antônio Fagundes assume que se encantou com as características populares de Juvenal, o líder da favela Portelinha da novela ''Duas Caras'', que estreou na última segunda-feira, na Rede Globo. Mas afirma que não estava em seus planos reaparecer nos folhetins. ''A emissora estava com dificuldades para escalar o elenco e eu não poderia deixá-la na mão'', revela. E, com um ar otimista, já encontra várias vantagens em reaparecer com um personagem tão polêmico. Uma delas é deixar de lado o status de galã, que manteve durante muito tempo. ''A televisão me fez aparecer durante décadas como um representante da classe A, em papéis requintados. Vou manter esse ar mais brasileiro que o motorista Pedro, de 'Carga Pesada', trouxe para mim'', justifica.
O que chamou mais atenção no convite para interpretar o Juvenal de ''Duas Caras''?
Sou um ator que gosta de mostrar as camadas mais populares na teledramaturgia. Abordar o cotidiano de um líder de uma comunidade carente mexe demais comigo. Acho que tem um fator social aí. E é diferente dos meus outros trabalhos na televisão, com personagens mais requintados, que me deram fama de galã. O Aguinaldo Silva, autor da história, está levantando uma questão social que acho muito válida e confio demais no sucesso desse trabalho. E a equipe teve dificuldades para escalar o elenco. Depois de tanto tempo de descanso, não poderia negar esse convite.
Depois de quatro décadas de carreira, ainda existe motivação para fazer novela ou você prefere seriados como o ''Carga Pesada''?
A gente não pode parar de trabalhar. Tanto pela questão financeira quanto para não enferrujar. A minha relação com o ''Carga Pesada'' vai muito além do fato de ser um seriado, uma produção com um ritmo mais calmo e descansado para o ator. O que me encanta é retratar o trabalhador brasileiro. O Juvenal tem muito isso, mas ele fica em desvantagem porque os carreteiros Pedro e Bino têm a mobilidade. Eles viajam o Brasil e desempenham essa função com mais profundidade.
Incomoda a imagem de galã?
Não pelo fato de ser galã. Mas essa exposição excessiva em novelas acaba aumentando o assédio da imprensa. E eu, por incrível que pareça, sou um homem muito tímido. Essa discrição que as pessoas falam que eu tenho, de não ficar aparecendo em público toda hora, é fruto desse lado introvertido. Para falar a verdade, me incomoda dar entrevistas. Mas não por medo que distorçam ou por ter raiva de jornalistas. É só porque para mim é desconfortável. Sei lidar bem com as câmaras, mas só quando estou atuando.

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