Betty Faria nunca teve papas na língua. Com a postura altiva de quem dançou balé clássico durante longos anos, a atriz não relaxa sua atitude ereta nem mesmo quando esbraveja dizendo que não gosta de falar sobre papéis antigos ou relembrar os fatos mais marcantes de sua carreira na tevê. ''Não sou uma pessoa de ter saudades. O melhor tempo para mim é aqui e agora'', avisa, cruzando as pernas. A atriz de 66 anos só se mostra um pouco mais à vontade quando começa a falar sobre sua personagem em ''Duas Caras''. Ela completou 25 anos de parceria com o Aguinaldo Silva e 39 anos de carreira na tevê.

Por que você retornou em ''Duas Caras'', após alguns anos de aparições bissextas em novelas?
Betty Faria - Estou supercontente desta retomada ser com o Aguinaldo. Claro que a novela tem muitas histórias, um elenco grande e a Bárbara não é a personagem principal, que às vezes vai para um lado, para o outro. Mas tenho muita gratidão ao Aguinaldo por ter pensado sempre em mim para fazer mulheres tão interessantes.

O que a Bárbara tem de tão interessante para você?
Embora pareça, ela não é uma mulher dúbia, que arme com o Ferraço. Ela é fiel a ele, até o dia que ela provavelmente vai deixar de ser. Por ele ter confiança total nela e empregá-la como braço direito, ela conseguiu ter condições de vir para o Rio, trazer os filhos e mudar de vida. Ela tinha uma vida muito desgraçada em Pernambuco como prostituta. Por isso é grata a ele. Óbvio que ela sabe dos golpes do patrão, mas precisa ter uma fonte de renda para sobreviver. Tem necessidade desse emprego. Foi esse trabalho que fez com que ela conseguisse comprar uma casinha, trazer os filhos e mudar de vida. O Ferraço apronta, mas deu a ela um lar.

Este ano, você completa 25 anos atuando em novelas do Aguinaldo, com personagens de destaque, como ''Tieta'' e a Jussara, de ''Partido Alto''. Mesmo assim, ficou de fora de outras produções dele, como ''Senhora do Destino'', exibida em 2004. Por quê?


Não fiz por coisas do destino. Mas o Wolf Maya - diretor da novela - e o Aguinaldo me chamaram juntos para ''Duas Caras'', onde comemoramos nossas bodas de prata. Começamos com ''Lili Carabina'', em 1981, um especial que reprisou centenas de vezes. Depois fizemos ''Hora do Carrasco'', a minissérie ''Bandidos da Falange'' e ''Partido Alto'', que ele escrevia em parceria com a Glória Perez. Depois teve ''Tieta'' e ele escreveu ''Pedra Sobre Pedra'', que queria que eu fizesse. Mas, por coisas do destino, acabei não fazendo. Depois fiz ''A Indomada'' e ''Suave Veneno''. Ele quis muito que eu fizesse ''Senhora do Destino''. Mas não deu.

Por que você ficou seis anos afastada das novelas, de ''Suave Veneno'' até ''América''?
Já falei muito sobre isso e já virei esta página. Não falo mais sobre esse assunto. Já voltei, estou aqui e pronto.

Esse afastamento tem um motivo especial?
Teve um pacote de motivos. Mas já passou. Estou aí.

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