CELEBRIDADE - Rebelde sem causa
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quinta-feira, 01 de novembro de 2007
Márcio Maio<br> TV Press 
Daniel de Oliveira cansou de ser mocinho. E acha que ''Desejo Proibido'', que estréia na próxima segunda, na Globo, pode ajudá-lo nesta tarefa. O ator, que interpreta o inescrupuloso Henrique na novela de Walther Negrão, pretende explorar todas as facetas da vilania do personagem para mostrar que está pronto para papéis mais densos na televisão. ''Consegui me destacar no cinema com papéis diferentes, mas na tevê ainda me vêem como o garoto com 'carinha de anjinho''', afirma o bonitão, que usa como exemplo do seu bom-mocismo seus personagens em ''Cabocla'' e ''Cobras & Lagartos'', ambas na Globo. Daniel diz que sua preparação para a novela se resume à leitura do clássico ''Grande Sertão: Veredas'', de Guimarães Rosa, para mergulhar no universo mineiro. ''O que seria mais difícil estou tirando de letra, que é o sotaque'', gaba-se o ator, que nasceu em Belo Horizonte (MG). Para dar mais charme e humor ao personagem, o ator se permite até a exagerar no jeito de falar. ''Estou carregando um pouco. Assim, soa mais caipira e fica mais divertido'', opina.
Onde você buscou as referências para compor o Henrique de ''Desejos Proibidos''?
Fiquei mais focado na história e na cultura de Minas Gerais mesmo. Me preocupei em aprofundar meus conhecimentos sobre a região. E, como bom mineiro, sei que já deveria ter lido ''Grande Sertão: Veredas''. Mas só comecei depois que fui escalado e recebi a sinopse. Achei que se era para trabalhar personagens mineiros de época, essa leitura seria fundamental. Esse é o ponto principal da minha composição. A novela tem o espírito de Minas Gerais. Você se transporta para um sertão, numa época que não é a atual, mas a dos ''causos''. Tem tudo a ver com essa novela. Faltam poucas páginas para eu terminar.
Além dessa, precisou de alguma preparação especial para a novela?
Na verdade, não. A maior dificuldade, que seria a do sotaque, eu já tiro de letra. Nasci e fui criado em Belo Horizonte, então já tenho naturalmente o jeito mineiro de falar. Isso é engraçado porque eu sempre tive de controlar minha ''mineirice'' nas cenas. Precisa controlar para não ficar feio, porque nunca interpretei um mineiro na tevê. Agora é diferente, posso até me exceder. Estou, por conta própria, carregando um pouco, para diferenciar. Outras pessoas do elenco também estão optando por isso.
A imagem de bom moço ainda é muito frequente na sua carreira?
As pessoas me olham e vêem um garoto. Não perceberam que o tempo passou e que já tenho 30 anos. Alguns dizem que eu tenho ''carinha de anjinho'', mas sempre procuro não ser bom moço ou marginal. Estou curtindo bastante essa fase porque ''Desejo Proibido'' pode quebrar isso de uma vez por todas. É lógico que ainda vou fazer várias coisas diferentes, porque ainda sou novo e tenho muito tempo pela frente, mas o que puder fazer para não ficar estereotipado, vou tentar. Na verdade, tento deixar essa denominação de vilão para o autor. Eu não enxergo o Henrique dessa forma.
Assim como em ''Cobras & Lagartos'', mais uma vez você protagoniza uma trama de um horário com problemas de audiência. Isso gera uma expectativa maior?
Pode até parecer que existe uma pressão na equipe que está chegando porque a última novela não fez sucesso, mas isso passa batido. Até porque, sinceramente, a gente não é tão bem informado assim. Dizem que a situação é parecida com a da época de ''Cobras & Lagartos'', mas para se ter uma idéia, em nenhum momento nós comparamos uma audiência com a outra. Sabíamos que estávamos indo bem e isso era o que importava. Ninguém queria saber quanto a outra tinha alcançado. A história que terminou não influencia nosso trabalho em nada. E, se em ''Cobras & Lagartos'' funcionou, então essa situação pode mudar.


