Depois de uma longa temporada de papéis fortes, porém cômicos, Eliane Giardini sentiu vontade de mudar de ares. E conseguiu. Agora, como a misteriosa Pérola de ''Eterna Magia'', a atriz experimenta usar seus conhecimentos de pesquisas sobre Física Quântica, Filosofia e Psicologia para se adaptar ao clima místico da trama. ''Não acredito em bruxas, mas sempre fui muito curiosa sobre o que existe por trás das coisas visíveis'', revela. Emplacando um personagem de destaque atrás do outro desde que ganhou visibilidade como a Dona Patroa, de ''Renascer'', em 1992, Eliane pretende se aventurar em outra área assim que tiver coragem: a de produção em tevê. Contratada da Globo até 2010, a atriz já planeja produzir e dirigir algo voltado para a tevê a cabo, aproveitando o mercado em expansão. ''A televisão está seguindo esses rumos. No teatro, produzi 99% das peças que fiz, acho que posso gostar de fazer isso na tevê também. Se bobear, fico só nessa onda depois'', prevê.
Para você, qual seria o seu perfil como atriz?
Eu mesma ainda não consegui definir. O que eu sei é que exercitei bastante essa coisa meio italiana do cinema dos anos 50, meio Anna Magnani, aquelas coisas mais dramáticas que, de tão tristes, se tornam comédias na outra ponta do trabalho. Acho que isso me define. Quando as pessoas que me conhecem vêem personagens espalhafatosos, intensos nesse aspecto do drama, pensam em mim. Mas já fiz trabalhos diferentes também, principalmente nas minisséries. Uma das coisas que contaram para que eu recebesse o convite para ''Eterna Magia'' foi meu trabalho em ''Um Só Coração''.
Você já se interessava por esses temas místicos antes de se preparar para a novela?
Filosofia e Psicologia me atraem bastante, então posso dizer que sempre fui muito curiosa sobre o que existe por trás das coisas visíveis. Não acredito em bruxas, mas entendo que a gente não sabe tudo sobre o universo. É difícil explicar certas coisas na vida. Vejo pela minha trajetória mesmo. Fiquei dez anos tentando me sobressair na tevê sem conseguir e de repente atingi um patamar legal na carreira, mesmo começando tarde. Em que momento eu mudei? Não sei o que aconteceu. De repente foquei no problema muito tempo, mas não sei. Existem coisas por trás das coisas. Isso me instiga.
E hoje, quais são suas metas?
Minha cabeça viaja muito na vontade de começar a contar as histórias, produzir um pouco. Tenho um desejo imenso, mas falta coragem. Não saberia nem por onde começar. Acho que esse é o rumo que a tevê segue atualmente, com várias produções independentes. Tenho planos de abrir uma produtora e experimentar. Não agora, talvez daqui a uns cinco anos. Pode ser até que eu faça, goste e não saia mais desse meio. Depois que você começa a conduzir seus próprios trabalhos, tudo muda. No teatro já tenho isso, posso dizer que 99% das peças que participei foram produzidas por mim. Fora isso, tem alguns papéis que gostaria de fazer, mas ainda não rolaram.
Que tipos de papéis?
Uma grande vilã, por exemplo. Fiz ''Vida Roubada'', no SBT, e interpretava uma garota que era muito má. Ela estudava em um colégio interno durante anos e, de repente, colocava a amiga de escanteio e voltava para a casa dessa menina, se fazendo passar por ela, porque a família era rica. Era cruel mesmo, ela matava gente queimada, era uma loucura. A gente brincava muito. As coisas quando ficam exageradas acabam perdendo o ponto, se tornando engraçadas demais. Mas nunca mais fiz uma grande vilã na tevê.
A audiência de ''Eterna Magia'' não vem mantendo a média esperada para o horário. Isso preocupa você?
É lógico que a gente espera sucesso em todos os trabalhos, mas não vejo só dessa forma. Acho que esse conceito de audiência tem que ser modificado, porque hoje em dia existem várias opções e as emissoras pagas estão crescendo. Nunca mais vamos ver os resultados que ''Roque Santeiro'' e ''Vale Tudo'' tiveram, por exemplo. Além disso, as novelas costumam se encerrar com uma média maior que a dos primeiros capítulos. ''Eterna Magia'' está só começando, muita coisa ainda vai acontecer e essa situação deve melhorar.

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