Depois de quatro anos, Miguel Falabella volta à TV como ator e roteirista na série ''Toma lá, Dá cá'', que estréia na última terça-feira, na Globo, para fazer ''humor inteligente''. Seu tempo tem sido dividido entre Rio, onde grava a programa, e São Paulo, onde ensaia o musical ''Os Produtores''. Falabella, que já escreveu 15 peças, duas novelas e estréia no cinema como diretor, conta nesta entrevista que ganhou muito dinheiro no teatro, mas teve fracassos que lhe custaram bem caro.

Por que ''Toma lá, Dá cá'' demorou tanto para emplacar?
É complicado abrir espaço na grade da Globo, há muitos talentos e muitos projetos para encaixar.

Como se consegue encaixar um programa?
Não sei, entreguei o projeto para o Roberto Talma (diretor de núcleo) e ele levou em frente. Aliás, é um prazer trabalhar com o Talma, porque ele é o responsável pela minha entrada na TV. Eu tinha voltado da Europa, estava triste porque não estava fazendo nada e todos meus amigos trabalhando. Fui a uma festa na casa de uma amiga, encontrei um homem no jardim e comecei a conversar, contar histórias da minha viagem. Ele me perguntou seu eu não queria trabalhar em uma novela. Era o Talma e a novela, ''Sol de Verão'' (1982).

Você acha que falta inteligência ao humor da TV?
Não, eu adoro o ''Casseta & Planeta'', ''A Diarista'' tem personagens muito engraçados. Acho que na TV tem de haver humor para todos os gostos. O ''Toma Lá...'' é programa popular que tem um grande cuidado com o texto. Mostra uma classe média cansada, com suas pequenas tragédias sociais, com sonho de ascensão, politicamente incorreta. Arlete Salles (Copélia) é uma avó alucinada, que só se dá bem com a neta. Criei Celinha, quase uma Marta Stewart (o modelo da dona de casa perfeita) para a Adriana Esteves. Diogo Vilela é um ator maravilhoso com quem sempre quis trabalhar.

Em que atividade você ganhou mais dinheiro?
Com teatro, mas também perdi muito também. A imprensa é muito generosa comigo e não fala dos meus fracassos.

Qual foi o seu pior prejuízo?
O maior fracasso foi ''A Pequena Mártir de Cristo Rei'', perdi mais de R$ 100 mil com ''A Primeira Noite de Um Homem'', com Vera Fischer. ''O Império'', sobre a vinda da família real para o Brasil, também pus R$ 150 mil do meu bolso, mas esse eu sabia que ia ter de bancar, pois eram 22 atores e 16 músicos.

O que você mais gostaria de ter feito na TV?
O Primo Basílio, um personagem maravilhoso. Mas eu nunca fui a primeira opção para nada. As coisas acabaram caindo na minha mão depois que outros recusaram. Miro, da novela ''Selva de Pedra'', foi oferecido para o Ney Latorraca. Só fiz o Caco Antibes, de ''Sai de Baixo'', porque Luiz Fernando Guimarães não quis.

Como vê a qualidade da TV?
Acho que ela se encontra num impasse na dramaturgia. Novela é um gênero que tem de se reinventar. Não sei como, mas as pessoas estão pensando nisso. A Globo faz seminários para procurar essa saída.

Esse modelo desgastado é que tem dado audiência à Record. O que você acha das novelas feitas lá?
Nunca vi.

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