Ter a mulher como a mocinha da novela das nove não deve ser fácil. Ainda mais quando ela é Alessandra Negrini, linda, assediada e que aparece em dose dupla na novela ‘‘Paraíso Tropical’’, da Rede Globo. Suas personagens, as gêmeas Taís e Paula, já apareceram aos beijos com os galãs Fábio Assunção, Bruno Gagliasso, Wagner Moura e Marcello Antony. O que incomoda o marido, no entanto, não são as cenas, e sim as fofocas. Da Turquia, onde está em turnê como convidado da banda Wax Poetic, Otto, 39 anos, falou por e-mail à Agência Estado:
Que trabalho está fazendo nesse tour pela Europa?
Otto - Essa viagem faz parte de um projeto paralelo. Sou convidado da banda Wax Poetic (de New York). Já faz dois meses que estamos em turnê. Esse trabalho está sendo maravilhoso e os lugares são demais. Agora estou aqui numa praia maravilhosa no Mar Egeu com pessoas bem bacanas. Isso é o que vale nesta profissão. Os músicos são maravilhosos. Amo muito o que faço, por isso sou escolhido para este paraíso.
Você planeja lançar algum CD?
  Estou vivendo um momento bem engraçado, tenho um disco quase pronto aí no Brasil e fiz um outro com esse pessoal daqui. E não tive tempo para finalizar os dois. Mas acho que é assim mesmo. Devagar eu chego lá. Estou vivendo intensamente minha carreira. Pena que o Brasil não está sabendo...
Hoje em dia muita gente o identifica como o marido da Alessandra Negrini e fala pouco do seu trabalho.
  Vou te dizer uma coisa. Esse papo é mais uma projeção da mídia do que do meu público. Vou enchendo os teatros e locais onde faço meus shows, meu público me adora e não reconhece sua afirmação. E tem mais: meu carisma é meu, e o da Alê é o dela. Fazemos parte de uma fantasia popular...
  Em uma entrevista você disse que a mídia às vezes rotula os artistas. Você mantém essa opinião?
  Não posso mais falar sobre isso. Mídia e artistas estão muito confusos. Seria perda de tempo discutir isso. Meu tempo com a mídia está num estágio silencioso. Cada um cada um. Afirmo que minha verdade está na minha poesia com minha música e meu público. Isso sim é uma relação real. Concreta e inabalável.
  Muito se comenta que seu ‘‘som de Otto’’ já embalou uma festa dos integrantes do Oasis, em Londres. Como foi essa história?
  Isso faz muito tempo, posso dizer que mais do que Oasis, são as pessoas que ouvem no dia-a-dia, pelo mundo e pelo Brasil. Com o Oasis eu mesmo não acredito.
  Já pensou em fazer um som mais ‘‘popular’’, no sentido de ‘‘pop’’, que toque nas rádios?
  Meu som é tremendamente popular, o problema é que o popular anda flertando com o lixo e o mercado, aí se torna impossível de limpar os ouvidos.
  ‘‘Antes eu só pulava, quase não pensava. Agora eu pulo, danço, canto, penso’’. Você disse isso numa entrevista porque se considera um artista completo?
  Me considero um artista numa fase madura. Agora digo que eu pulo, danço e faço arte. Tenho noção exata e, melhor ainda, nem preciso mais pensar. Minha arte pensa por mim. Sou poeta contemporâneo e dado ao futuro. Você nem imagina como isso faz a diferença. Sou feito de poesia, o mundo me dá estas armas, este corpo responde por um espírito inquieto que transforma e distribui pensamentos. Por isso amo meu público e ele a mim. Quem gosta de mim gosta muito... Quem não gosta! É melhor prestar mais atenção.
  Você já pensou em atuar também, como a Alessandra, ou até com ela?
  Gosto de cinema, mas de participações, vivo fazendo isso. O ator tem que ter muita paciência, eu não sou muito de esperar. Com Alessandra teria que ser muito especial, pois como atriz eu amo seu trabalho. Ela daria em mim um frio na barriga.
  Muitos dizem que você é ciumento. Como, na verdade, é sua relação com o trabalho da Alessandra?
  Sou um homem que tenta não ser, mas tenho muito ciúme... Meu ciúme ultrapassa essa de beijo de novela, isso não me incomoda mesmo. E tem mais: não sou um cara que gosta de novela. Embora respeite a qualidade das novelas e seja fã dos atores e dos diretores, pois eles realizam coisas que, para mim, exigem muito talento e capacidade física e emocional. Tenho ídolos televisivos. Sinto amor pelos grandes.

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