Para Marisa Orth, o principal trunfo de ''Toma Lá, Dá Cá'' é o texto. E, coincidentemente, é nele que está sua principal dificuldade para interpretar a corretora de imóveis Rita no seriado da Globo. Acostumada a fazer comédias com tipos fora da realidade, a atriz vive uma mulher que, apesar de ter de ser engraçada, carrega características que causam identificação na sua própria intérprete. ''Nunca pensei que fosse tão difícil retratar um cotidiano parecido com o meu'', avalia. Dona de uma carreira televisiva - como Marisa mesmo diz - cheia de ''esquisitices'', a atriz lamenta não ter espaço para atuar em papéis com carga dramática. Mas, depois de quatro novelas, avalia que já aprendeu quais são as vantagens e desvantagens de se envolver nesses projetos. E, sem rodeios, não se mostra aberta a ingressar em um parecido tão cedo. ''Gravo o seriado uma vez por semana. Novela é cansativo e nem sempre traz reconhecimento profissional. O humor ainda me dá estabilidade'', pondera.

''Toma Lá, Dá Cá'' é o quarto programa de humor que você faz na Globo. Qual é o principal diferencial desse trabalho para você?
Tenho um tesão muito forte na hora de gravar o seriado. Primeiro porque são velhos amigos trabalhando juntos, o que favorece esse clima leve que o programa pede. E, em segundo lugar, porque acabou se tornando o mais difícil de todos para mim, pela proximidade das características com minha personagem. Me acho muito parecida com a Rita e fico com medo de não conseguir criar um diferencial em cada episódio. É mais fácil interpretar alguém que está longe da sua realidade. Dá para brincar mais com as situações. A dificuldade, de certa forma, acaba se tornando uma motivação para o trabalho.

Você diz que não escolheu o caminho do humor, mas todos os seus trabalhos na televisão seguiram essa linha. Existe alguma mágoa por causa disso?
Eu gosto dessa linguagem, mas durante muito tempo ficava grilada. Fiz quatro novelas apenas, e só uma, ''Rainha da Sucata'', fez sucesso. Além disso, fiquei presa quase oito anos com o ''Sai de Baixo'' e com a ''TV Pirata''. O meu lado engraçado ficou marcante. Já senti falta de papéis de gente normal. Mas hoje em dia, quando aperta a vontade, pulo para outro meio de comunicação. Atualmente eu prefiro encarar a realidade.

Você tentou fazer outras personagens que não estivessem ligadas ao humor?
Algumas vezes, mas eu sou muito singular. Tenho todas as delícias e agruras de ter essa carreira um tanto quanto esquisita. Sou bonita demais para ser a feia, mas feia demais para ser a bonita. Não me enquadro em nenhum tipo. A que é nova demais para ser velha, mas velha demais para ser nova... Sei que todo mundo fala isso, mas é só olhar para mim que dá para perceber que é verdade. Acho que por isso mesmo nunca passei em testes. Tudo que eu fiz foi com convite. E essas características me tornam engraçada. E, apesar da limitação, tem seu lado positivo. O humor me traz uma certa estabilidade.

O ''Sai de Baixo'' permaneceu na grade da Globo por seis anos. Você acredita que o ''Toma Lá, Dá Cá'' possa durar tanto tempo também?
Muita coisa mudou na tevê desde aquela época, mas acho que agora a gente tem até mais chances de conseguir isso. Ainda estamos nos adaptando com o formato e a proposta, mas a tendência é deixar o programa cada vez mais bem feito até chegarmos ao ponto certo. Só não sei se a gente deixaria essa permanência toda porque com o ''Sai de Baixo'' foi uma coisa meio forçada. A gente não tinha mais para onde correr. O Caco já tinha deixado de ser canalha para virar um 'serial killer' e a Magda já era um animal, bebendo água da privada. O humor da história já tinha se esgotado.

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