A imagem de mulher elegante e requintada de Carolina Ferraz costuma limitá-la na hora de ser escalada para alguns personagens. Mas a intérprete da calculista Norma de ''Beleza Pura'' aproveita para, dentro desse perfil, experimentar outras linhas de interpretação. ''Fazer uma pessoa tão má assim é uma novidade na minha carreira. Isso já me motiva'', afirma, com ar de conformismo. Na verdade, Carolina já encarnou uma vilã em 1995, em ''História de Amor'', mas, segundo a atriz, a experiência não conta tanto nesse sentido. Aos 40 anos, Carolina acredita que sua experiência e as transformações físicas que a maturidade traz podem torná-la apta a papéis que até então não eram possíveis.



Você interpreta sua primeira grande vilã em ''Beleza Pura''. Como foi o seu trabalho de composição para a Norma?
Já fiz personagens más, mas nunca tinha encarnado uma vilã mesmo. Isso já ajuda na hora de desenhar as características dela, porque é algo novo e não preciso me preocupar em deixá-la diferente de papéis anteriores. Mas a minha primeira reação foi pegar todos os filmes possíveis e imagináveis com personagens muito más e tentar encontrar em alguma delas inspiração para a Norma. Via desde infantis, como ''Branca de Neve e os Sete Anões'' a filmes com a Bette Davis. Mas depois percebi que estava no caminho errado e resolvi usar apenas o texto como base. Estou deixando ela brotar conforme recebo as informações das cenas.


Ao longo dos seus 18 anos de carreira, a maior parte de suas personagens foram mulheres elegantes. Você fica incomodada com isso?
Acho que em cada uma delas havia características diferentes. Isso já é um estímulo. Mas entendo o que você diz. Eu sinto que envelhecer está me fazendo bem. A experiência e o peso da idade sempre abrem algumas portas. Acabei de fazer 40 anos e espero que meu futuro seja diferente. A Norma tem esse porte elegante também, mas é minha primeira vilã, o que já é um avanço. Isso me dá uma certa segurança sobre o futuro.



Você ficou dois anos sem fazer novelas. Foi uma pausa premeditada?
Resolvi tirar meu período sabático também. Emendei ''Belíssima'' com ''Começar de Novo'', que já tinha emendado com ''Kubanacan''. Conversei com a direção da emissora e eles me deram um descanso. Acho que todo mundo precisa parar um pouco para poder se reciclar. É bom porque além de voltar com mais ânimo, você descansa a sua imagem. Isso é fundamental para quem trabalha em novelas.


Você aparece atualmente em um comercial ao lado do ator americano Richard Gere. Como o público tem reagido a essa propaganda?
É muito engraçado porque todo mundo pensa que é montagem. Mas eu gravei em Nova York, junto com ele. Foi na semana do Natal. As pessoas sempre brincam e se lembram do filme ''Uma Linda Mulher'' e da Julia Roberts. Mas, sinceramente, não acho que fosse a intenção relacionar tanto assim com o longa. A música foi escolhida mais porque ele fez sucesso na pele do galã que salva a prostituta e o filme e a canção fizeram muito sucesso no Brasil. Todo mundo fica me perguntando como é ser a ''linda mulher'' do Richard Gere, mas não passei de uma colega de trabalho dele. Acho que o mais compensador dessa experiência foi ele se mostrar muito mais simples e companheiro do que vários atores que já contracenaram comigo aqui no Brasil.

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