Vitória Frate teve de esperar para ver sua estreia na tevê. É que a atriz, que protagonizou o filme ''Era uma vez'', de Breno Silva, havia feito testes para ser filha de Débora Bloch na minissérie ''Queridos Amigos''. Ela chegou a passar, mas, quando o roteiro chegou, a direção descobriu que precisaria de uma atriz bem mais jovem para o papel. Meses depois, o produtor da novela indicou Vitória para ser novamente filha de Débora, desta vez em ''Caminho das Índias'', trama de Glória Perez. E não teve como dar errado. Na pele da inocente Júlia, ela viu sua estreia finalmente acontecer. ''Não tinha jeito, era mesmo para ser. E o bom disso é que nem precisei fazer testes'', relembra.
E o primeiro trabalho televisivo da atriz veio logo em uma trama do horário nobre da Globo. Ao lado de atores como Elias Gleizer, Alexandre Borges e Débora Bloch, Vitória vive a doce Júlia, uma menina rica que em breve terá problemas por conta de uma crise familiar. Mas começar na televisão entre tantas ''feras'' não assusta Vitória. Pelo contrário. Aos 23 anos, a atriz se sente mais disposta ainda em trabalhar. ''Acho que é a mesma coisa que estrear na novela das sete ou das seis. A diferença básica é que todas as pessoas que trabalham comigo já têm experiência e até me ajudam'', explica.
Vitória recorreu a uma forma um pouco diferente para compor sua personagem. A atriz conta que para entrar no mundo da jovem, começou a ouvir músicas que achava que se pareciam com o papel e até criou um caderno personalizado com as histórias de Júlia. ''Gosto de entrar no universo do personagem. Colo fotos nesse caderno, adesivos. Na verdade isso é uma coisa ritualística mesmo'', explica. E acredita que isso sirva também para o decorrer da história. No folhetim, a família de Júlia entrará em crise, o que mudará o comportamento dela. ''Essa preparação toda me ajuda muito. Sei que ela vai perder muita coisa e preciso saber como ela vive, para que essa perda seja dolorosa para mim também'', justifica.
Outro ponto que favoreceu a inspiração da atriz foi observar meninas que tinham a mesma idade e situação financeira que sua personagem. E, mesmo não tendo muito espaço na trama, Vitória leva a personagem com a mesma emoção da protagonista que viveu no filme no ano passado. ''É um papel muito bacana de fazer. Ela é superemocional e tem uma inocência que me encanta. Ela e a mãe vivem em um universo cor-de-rosa, e estão muito protegidas do real. E essa ingenuidade é tudo o que desconheço, mas quero conhecer'', explica.
A intérprete de Júlia começou a atuar no teatro. Fazia testes para publicidade e expandiu seu interesse para a tevê e o cinema. Quando foi chamada para fazer seu primeiro filme ''Era Uma Vez'', trancou a faculdade de Jornalismo e decidiu que queria mesmo ser atriz. Ela reconhece também que sua irmã, a também atriz Anna Markun, foi uma influência para iniciar a carreira. Mas ela enxergava a irmã como extravagante, e, como não gostava de aparecer, achava que a profissão não combinava com sua personalidade. ''Só depois que fui passando nos testes que notei que me realizava na interseção da palavra com a imagem'', filosofa.
- Caminho das Índias na Globo de segunda a sábado, às 21h

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