Alexandre Borges começou tarde na tevê. O ator, que interpreta o psicanalista Escobar em ''Desejo Proibido'', estreou na Manchete em ''Guerra Sem Fim'', em 1994, e, de lá pra cá, colecionou vários personagens metidos a conquistadores, como o gigolô Bruno de ''A Próxima Vítima''. Mas, aos 41 anos, Alexandre percebe que agora tem mais oportunidades de conseguir papéis densos e com outras motivações além de ''tops'' e minissaias. ''Não deixaria de aceitar um trabalho com medo de ficar rotulado. Mas a idade atrai uma profundidade maior para os personagens'', avalia. Em sua primeira novela de época, o ator prefere não se prender apenas a dados históricos e tenta dar um tom contemporâneo à sua atuação. ''Não trabalho em museu e não estou restaurando nada. Acho que os sentimentos e a necessidade de expressão são inerentes ao homem'', explica.

Em ''Desejo Proibido'', que se passa no Brasil dos anos 30, você interpreta um psicanalista que se apaixona pela paciente. Você condena seu personagem por isso?
Alexandre Borges - Essa não é uma característica contemporânea. Mas, estudando para a composição, vi que era algo comum antigamente. Aconteceu com vários profissionais. Só depois que constataram os malefícios desse tipo de envolvimento começaram a tomar cuidado para que não se repetisse. Hoje em dia a gente sabe que é algo que vai contra o código de ética da profissão, mas antes não era assim. Isso é uma coisa legal para trabalhar nesse personagem: abordar a psicanálise. As novelas costumam tratar de temas populares e estou lidando com uma ciência um pouco elitista no Brasil. Acho importante mostrar por que ela existe e que resultados pode trazer, mesmo que dentro de uma temática de época.


Como foi sua preparação para compor o Escobar?
O que mais me interessou nesse trabalho foi a possibilidade de conhecer melhor um mundo que eu já tinha alguma noção de como funcionava. É fundamental para o ator entender psicologia, filosofia e sociologia. São estudos que sempre trazem descobertas bem-vindas na construção dos personagens. Como o nosso foco é a psicanálise, me concentrei na história da psiquiatria e na sua evolução dentro da sociedade. E entender Freud e o novo conceito de psicanálise que ele trouxe. Esse estudo me ajudou também a entender melhor a relação que o Escobar cria com a Ana, personagem da Letícia Sabatella.


Durante alguns anos, você interpretou personagens que tinham sua sensualidade bem explorada nas tramas. Em ''Desejo Proibido'', apesar do clima de romance, essa abordagem já é diferente. Você acha que a maturidade trouxe novas oportunidades na tevê?
Pode ser que sim, mas acho que tudo isso depende mais da sorte mesmo. E até percebia esse lado, mas não ficava grilado. Não vou deixar de fazer um personagem que tem características parecidas com as de outros da minha carreira só para mostrar que quero fugir de rótulos. Mesmo que eu estivesse em um contexto diferente em ''Desejo Proibido'', trabalho um texto que é do Walther Negrão. Nunca fiz nada com ele e isso já é uma novidade. Já aumenta minha motivação para trabalhar. Mas é claro que a maturidade me traz coisas novas. Acho que atrai uma profundidade maior em algum sentido. Vejo como um caminho natural. Adorei fazer todas as novelas e foram elas que me deram todo o prestígio que eu tenho hoje. Junto com sorte, que esteve sempre ao meu lado, desde a minha estréia na tevê.

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