O personagem de Reynaldo Gianecchini em ''Sete Pecados'', novela das sete que estréia na próxima segunda-feira, lembra a clássica história de ''O Médico e o Monstro'', de Robert Louis Stevenson. No livro escrito no século XIX, Dr. Jekyll é um homem de admirável reputação que se transforma em Mr. Hyde, uma figura assombrosa. No folhetim de Walcyr Carrasco, o Dante defendido pelo ator começa como bom-moço na trama mas não demora a se transformar em um cara sem princípios. Seduzido por Beatriz, de Priscila Fantim, ele é levado a cometer todos os pecados capitais. E, ao ficar com a moça, abandona a esposa Clarice, de Giovanna Antonelli. Para interpretar o taxista que, inicialmente, é um boa-praça, o ator diz que foi buscar lembranças da época em que morava em Birigui, no interior de São Paulo. ''Lá existem pessoas com a mesma bondade do personagem. Resgatei esse meu lado de quem viveu no interior porque hoje já sou mais 'cascudo' para a vida'', confessa ele.
Você já interpretou alguns bons-moços na televisão. Qual o diferencial do personagem Dante, que você vai encarnar em ''Sete Pecados''?
Esse personagem é um cara bom, muito generoso, mas estou tendo bastante cuidado para fazer dele uma figura crível, um homem real. Ele também se irrita, fica com outra mulher apesar de ser casado. Não é um herói desses que só existe em cinema. É um personagem bonito porque gosta muito de ouvir as pessoas, ser atencioso. Mas o diferencial é que de mocinho ele se transforma em um homem sem princípios. O interessante vai ser viver essa virada.
O tema central da novela são os sete pecados capitais e todos eles se manifestam ao redor do seu personagem. Qual o peso dessa responsabilidade?
São calhamaços de texto para decorar, mas depois de um tempo na profissão, a gente fica mais exigente e sinto que estou entrando em um projeto bom. A história é ótima e isso diminui o peso de minha responsabilidade. Influenciado pela personagem da Priscila Fantim, o Dante é tentando o tempo todo a cometer os pecados. Ele enfrenta situações em que precisa fazer escolhas na vida que podem melhorar ou piorar o seu futuro. A discussão central é até que ponto você realmente usa o livre arbítrio para tomar decisões.
Ao se preparar para esse papel na novela você está se deparando mais com seus pecados do que com suas virtudes?
Acho que para incorporar o Dante estou entrando em contato com a minha bondade, com o que tenho de bom. Para trazer verdade para esse personagem eu tinha que buscar informações dentro de mim, porque não dá para inventar muito. Ele tinha de ser simples, caso contrário ficaria difícil de acreditar nele. É bem diferente de meu último trabalho, o Pascoal de ''Belíssima''. No caso dele, cabia colocar vários elementos e carregar nas tintas. Com o personagem Dante é o contrário.
''Sete Pecados'' é a sexta novela de sua carreira. Que balanço você faz de sua trajetória televisiva até aqui?
Continuo muito crítico em relação ao meu próprio trabalho, mas hoje em dia valorizo muito mais minhas conquistas. Gravando esta novela, estou sempre ao lado da equipe de edição para ver como está meu desempenho. Consigo ver os acertos e enxergar o que é bom, mas percebo o que pode ser melhorado e me critico para caramba em pequenos detalhes. A diferença é que atualmente não me magôo mais. Só tento resolver o que acho que não está de acordo com o personagem. A verdade é que todo ator é um sofredor que anda com um chicote e chicoteia a si próprio.

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