CELEBRIDADE - Dura vida de malandro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Márcio Maio<br> TV Press 
Bruno Gagliasso sua a camisa para não fazer feio ao interpretar o malandro Ivan de ''Paraíso Tropical''. Tudo porque, para manter a exuberante forma física que seu personagem exibe orgulhosamente nas areias de Copacabana, o ator precisa fazer da academia de ginástica uma extensão da cidade cenográfica da trama. Bruno não tem idéia de quanto tempo passa se exercitando para manter o corpo tão sarado, mas não hesita em dizer que assim que acabar esse trabalho vai dar um tempo na malhação. ''Sou vaidoso, mas nem tanto. Não curto malhar. Essa foi a parte ruim da minha preparação para o trabalho'', afirma. Aos 24 anos e casado com a atriz Camila Rodrigues, que conheceu durante as gravações de ''América'', Bruno se sente em um momento excelente da carreira e já sabe o que quer fazer no futuro: ser pai. ''Vai depender de conciliar a minha agenda com a da Camila, mas um bebê está nos nossos planos'', avisa o ator, com um brilho no olhar.
Dos seus personagens, o Ivan é o único vilão. O que você está achando de interpretar um tipo assim?
Em ''Chiquititas'' cheguei a interpretar um garoto mau, mas o Ivan é realmente o meu maior vilão. Estou adorando fazer, porque tem um charme especial. Mas não posso reclamar, porque fiz caipira, gay, um garoto que a mãe chamava de assassino por causa de um acidente onde o irmão dele morreu... Tive papéis excelentes. Não sei se posso afirmar que fazer vilão está sendo uma coisa tão importante assim para a minha carreira, já que tenho um monte de grandes mocinhos no currículo, todos muito bem escritos e desenvolvidos. Também encaro mais o Ivan como uma vítima da sociedade. Ele quer dinheiro sem ter que trabalhar ou fazer esforço. Se tiver que passar por cima de alguém, bater ou roubar, vai fazer essas coisas sem a menor culpa. É bom fazer personagens maus, só que ele é diferente. O rapaz cresceu ouvindo a mãe dizer que preferia que ele não tivesse nascido. Isso mexe com qualquer filho.
Você tem apenas oito anos de carreira, mas já coleciona alguns personagens problemáticos. Por que você acha que isso aconteceu?
É verdade. Mesmo em ''Sinhá Moça'', que era uma novela de época, fiz um personagem problemático. Mas acho isso o máximo. Sou bem novo, tenho apenas 24 anos, e me sinto um grande privilegiado na minha carreira. Comecei a seguir os primeiros passos no teatro aos 14 anos, num curso da Zona Sul do Rio. Aí, uns três anos depois, em uma montagem de fim de turma, fui convidado para um teste que acabou me levando para a Argentina. Na minha vida as oportunidades foram chegando e eu dei um jeito de agarrar e fazer bem. Acho que tenho uma carinha normal, sou um homem comum, mas já mostrei que posso encarar desafios e que faço meu trabalho com muito prazer. Os autores com quem trabalhei acabaram confiando em mim e na minha dedicação.
Tudo na sua vida veio cedo. Estreou cedo na tevê, ganhou papéis de destaque e polêmicos cedo, se casou cedo... Isso assusta você?
Quando olho para os meus amigos, vejo que realmente tenho um estilo de vida completamente diferente da maioria deles, mas não acho que isso seja pior ou melhor. As coisas foram tomando seu próprio rumo dentro da minha vida. Eu e a Camila estamos curtindo muito a nossa vida a dois, crescendo juntos na nossa profissão. Acho que isso ajuda muito os dois lados. E não dá para negar que nós dois não precisamos passar por aquela fase de economizar para casar, juntar grana para ter uma casa, enfim... Ela ainda teve mais sorte que eu, porque na primeira novela já assinou um contrato longo. Só consegui essas regalias depois que acabou ''Celebridade''. Sou muito jovem sim, mas enxergo que tudo na minha vida está acontecendo na hora certa. E essa história de que as pessoas que ganham bons personagens muito cedo acabam ficando apagadas no futuro não é uma regra. Quem se esforça e sabe ter dedicação e responsabilidade consegue se manter bem na carreira artística.
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