CELEBRIDADE - Diversão cênica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de março de 2008
Gabriela Germano<br> TV Press 
Aos 74 anos de idade e 54 de carreira, Eva Wilma diz que brinca trabalhando. Com a fria e gananciosa Cândida, de ''Desejo Proibido'', a atriz tem voltado à infância. A vilã da trama das seis da Globo é mais uma que a atriz deve guardar com carinho, junto a inesquecíveis figuras como as gêmeas Ruth e Raquel, na primeira versão de ''Mulheres de Areia'', da Tupi, Maria Altiva, de ''A Indomada'', e Hilda Pontes, de ''Pedra Sobre Pedra''. O folhetim à moda antiga de Walther Negrão é o tipo de trabalho que Eva gosta de fazer. É o estilo de trama que lhe dá prazer.
Você reclamou que as novelas estavam apelativas demais e deixaram de ser interessantes. O fato de ''Desejo Proibido'' ser uma trama à moda antiga foi o que a atraiu?
Foi um dos motivos. O que me atrai para um trabalho é a proposta do autor. A evolução das novelas as levou para um caminho que as transforma quase em um programa de humor. E acho que aí fica sem sentido, sem romantismo. A essência do folhetim não pode ser deixada de lado. Seja no horário das seis, das sete ou das nove, é preciso saber contar uma história e despertar a curiosidade do telespectador, para que ele queira saber o que vai acontecer no próximo capítulo. Procuro sentir se a personagem tem uma história verdadeira e se posso interpretá-la com prazer, acima de tudo. Isso depende muito do autor, dos diretores e dos parceiros de cena.
Qual é o prazer que você encontra na personagem Cândida?
A história dela, contada na sinopse, me atraiu de cara. As relações de Cândida com o personagem Viriato no passado é que ocasionaram o que ela é no momento atual da novela. Há uma trajetória, uma história que contextualiza a personagem.
Algumas vilãs de sua carreira marcaram muito, como a Raquel da primeira versão de ''Mulheres de Areia'' e mais recentemente a Maria Altiva, de ''A Indomada''. Você acha que é mais lembrada pelas malvadas que fez do que pelas heroínas?
As vilãs de novela são as desencadeadoras das ações e a consciência crítica do autor. Elas ironizam tudo. Então, de certa maneira, essas personagens também podem ser a consciência crítica do público. Mas não tenho preferência por vilãs ou heroínas, tenho preferência por bons papéis. Em ''Desejo Proibido'', eu e o Lima Duarte fazemos cenas em que voltamos aos 7 anos de idade. Um faz birra para o outro. Saímos um pouco do texto e brincamos. Isso dá prazer, é a essência do ator.
Você volta a trabalhar com o Lima depois de 15 anos, a última vez foi em ''Pedra Sobre Pedra'', em 1992...
Foi, e surpreendentemente também a primeira. Por mais estranho que possa parecer, nunca tínhamos trabalhado juntos antes. Mas as pessoas nos vêem como grandes parceiros porque fizemos basicamente a mesma escola. Éramos da Tupi. Ele estava na inauguração e eu não, porque ainda fazia minhas experiências como bailarina clássica. Entrei na emissora em 1953 e sempre cruzei com ele nos corredores. Apreciava o trabalho do Lima desde o início. Mas só em ''Pedra Sobre Pedra'' nos encontramos.
A tevê ainda consegue surpreender você?
Prefiro surpreendê-la. Autor, diretor e ator têm o mesmo objetivo: entreter o público emocionando e divertindo. O humor é essencial em tudo na vida. Fiz vários trabalhos profundos ao longo da carreira e mesmo nos momentos mais dramáticos eu conseguia fazer rir. Isso é meio chapliniano. Posso parecer pretensiosa, mas Chaplin era assim, mostrava momentos dramáticos sem perder o humor. O que vem para as minhas mãos, eu uso.


