Jayme Monjardim não se emociona ao falar sobre a minissérie ''Maysa''. Afinal, segundo ele, a trama de Manoel Carlos, que ele dirige em homenagem à trajetória de sua mãe, não terá características saudosistas. A intenção do paulistano de 52 anos, filho da cantora - que entoava com dramaticidade canções de fossa - com o industrial André Matarazzo, é mostrar a faceta vanguardista de uma artista que tinha atitudes corajosas. Como mandar o filho aos sete anos de idade estudar na Espanha - onde ficou até os 17 anos. Com isso, Jayme conviveu pouco com a mãe, que será interpretada pela estreante Larissa Maciel na minissérie da Globo.
A estréia está prevista para janeiro e a série teria apenas nove capítulos. Mãe e filho se tornaram muito amigos no último ano de sua vida, antes do acidente de carro que a matou em 1977. ''O meu olhar nesta direção vai mostrar a essência do meu relacionamento com ela. Não existem resquícios de mágoas, mas um amor explícito, que está em todo esse trabalho'', explica Jayme. Ele começou a gravar as primeiras cenas no dia 12 de agosto, com locações no Rio, Buenos Aires, Madri, Lisboa e Paris.
Com uma voz sempre pausada e confiante, Jayme disseca as características desse trabalho da mesma forma que resgata lembranças de ''Pantanal''. A novela, que está sendo reprisada pelo SBT e foi ao ar há 18 anos na extinta Manchete, foi o marco que decolou sua carreira como diretor. ''É um filho que está no mundo e que tenho muito orgulho'', compara Jayme, que virou diretor por acaso. Aos 24 anos de idade, ele abriu uma empresa de edição de vídeos de casamentos e cirurgias, logo após a morte da mãe. Cinco anos antes, a intenção de Jayme era dirigir apenas boeings. Chegou a ser co-piloto e prestou exames nas companhias aéreas Varig e na antiga Transbrasil. Mas sua miopia e estigmatismo o forçaram a mudar o foco. ''Meus vôos passaram a ser outros'', brinca.
Com 18 obras teledramatúrgicas no currículo, Jayme Monjardim fez apenas um trabalho no cinema. Foi em ''Olga'', protagonizada por Camila Morgado, que contava a vida da militante comunista alemã que foi morta num campo de concentração pelo regime nazista. ''Só fiz um porque a tevê me consome muito. Sou um homem de televisão. Não tenho medo de assumir que meu casamento é com a televisão e, de vez em quando, dou uma fugidinha'', diverte-se.
Essa segunda ''fugidinha'' deve acontecer assim que terminarem as gravações de ''Maysa''. Jayme acabou de acertar os direitos da obra ''O Tempo e o Vento'', de Érico Veríssimo. Esse longa vai evidenciar a paixão do diretor por obras que se passam no Sul do país, como a minissérie ''A Casa das Sete Mulheres'', adaptada por Maria Adelaide Amaral. ''Esse filme é uma das coisas que mais quero fazer. Também tem a próxima novela do Maneco. Mas vou querer respirar um pouquinho o ar do cinema'', avisa. Após essas filmagens no Sul, Jayme pensa em emendar um outro projeto na telona. O diretor tem a intenção de fazer uma adaptação do romance ''O Pequeno Príncipe'', de Antoine de Saint-Exupéry, de 1943. ''Esse é um projeto lindo e já estou em negociações para uma co-produção'', entrega, animado.

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