CELEBRIDADE - Beth Goulart, na hora certa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Márcio Maio<br> TV Press 
Quando recebeu o convite para interpretar a interesseira Neli em ''Paraíso Tropical'', Beth Goulart percebeu que teria ali uma chance para concretizar um antigo sonho profissional. Depois de 33 anos de carreira dedicados ao teatro e ao cinema, a atriz queria se estabilizar na televisão. Se antes suas inquietações se solucionavam nos palcos, agora Beth prefere a idéia de um contrato longo, para se dedicar a personagens mais densos e aproveitar a boa fase das mulheres de 40 anos nas novelas da atualidade. ''Há alguns anos, era difícil conseguir personagens densos. Agora, as novelas têm vários protagonistas e as atrizes experientes estão com mais espaço'', avalia.
Beth ainda guarda um outro projeto: dirigir um longa-metragem. A atriz já tem um argumento reservado para o cinema e pretende assumir as atividades principais do filme. Desde a produção e direção até o papel de protagonista. ''Uma grande idéia e vontade eu já tenho. Só falta arriscar'', diz.
A Neli tem atitudes reprovadas pelos telespectadores mas que, em alguns momentos, fazem com que eles se identifiquem com a personagem. Como você enxerga essas atitudes e qual é a resposta do público?
O problema não é o que ela faz, mas a forma como ela faz. O amor da Neli ultrapassa qualquer limite. Mas, no fundo, ela só quer que as filhas não passem pelo que ela já passou. A Nely quer que as duas sejam mais felizes do que ela conseguiu ser. Eu não a vejo em nenhum momento como uma mãe má. Analisando a trama, a Marión, da Vera Holtz, tem intenções ruins e isso se reflete na criação que ela deu aos filhos. A Neli não, só é preocupada demais. Tanto que o público me pára na rua e elogia meu trabalho e comenta sobre as situações que são apresentadas. As pessoas me dizem que conhecem mães iguais a Neli e várias mulheres acabam se identificando. Estou adorando ter sido escolhida para interpretá-la justamente por essa verdade que é passada na novela.
Você foi escolhida pelo próprio autor, Gilberto Braga. Como foi feito o convite?
O Gilberto me ligou. Fiquei tão feliz, eu estava sem contrato com a emissora e mesmo assim ele me escolheu. Poderia ter usado alguém do elenco da Globo, alguma atriz que estivesse fora do ar mas recebendo o salário. Mas ele fez questão da minha atuação. Isso é muito gratificante. O último trabalho que fiz com o Gilberto foi na minissérie ''O Primo Basílio'', em 1988. Tem bastante tempo, mas adorei. Eu interpretava a Leopoldina, uma personagem maravilhosa. Ela era aliada da Luíza, personagem da Giulia Gam. Eu retratava uma mulher que lutava pela liberdade feminina em uma época em que isso era praticamente impossível. Foi um dos papéis mais marcantes da minha carreira na tevê.
E a Neli, já ocupa esse espaço também?
A Neli está se sobressaindo de um jeito em ''Paraíso Tropical'' que há muito tempo eu não experimentava na tevê. É bom pegar um papel com uma trajetória assim. Sinto como se ela marcasse uma espécie de volta à televisão. É engraçado porque não tem muito tempo que fiz novela. Estive em ''A Lua Me Disse'', como a Elvira, em 2005. Mas a novela tinha um tom mais carregado e eu acho que não consegui ter um destaque na trama. Fiquei um pouco apagada.
Você se sentiu mal aproveitada na televisão?
Só tive contrato com a Globo por três anos, logo depois que terminei de gravar ''Baila Comigo''. De lá pra cá, nunca mais a emissora propôs assinar por um tempo longo comigo. Então, caminhei com minhas próprias pernas. A tevê não investiu em mim e eu decidi, naquela época, não investir em tevê. Acabei me ocupando com outras coisas e me dediquei mais ao teatro. Na época tinha algumas inquietações, queria mais do que o veículo estava disposto a me dar. E o teatro e o cinema me deram.
Hoje como você se sente em relação a isso?
Agora isso já está solucionado. Estou em uma nova fase da minha carreira, mais madura. Fiz alguns trabalhos na tevê, contratada por obra. Adorei fazer a Lidiane em ''O Clone'', por exemplo. Achei até que poderia ter rolado ali uma conversa sobre um contrato longo, garantir minha estabilidade como atriz. É claro que eu adoraria ter participado de projetos mais audaciosos, como era ''O Primo Basílio'' e como é a Neli hoje. Tenho esperança de que alguma coisa bacana aconteça depois que eu terminar de gravar ''Paraíso Tropical''. De repente, sai uma conversa com a emissora. Teria prazer em assinar um contrato longo. E hoje a situação é diferente, as mulheres da minha idade conseguem papéis fortes nas novelas, chegam a ser protagonistas.


