Celebração do vinil
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
A maioria dos DJs abandonou os discos de vinil há vários anos. A minoria que resiste, porém, sequer cogita trocar os bolachões por CDs ou pelo MP3. Em Londrina, alguns profissionais das pick-ups herdaram a tradição e seguem discotecando com os velhos long-plays.
Três deles mostram suas técnicas na festa ''Scratch Night'', que acontece hoje às 23h na Garagem Hermética. Todos são ligados à cultura hip hop. Adriano começou como MC e virou DJ após conhecer a arte do scratch (som provocado pelo atrito da agulha do toca-discos no disco de vinil). Ed Groove se aproximou do movimento através do skate e montou uma cabine caseira de DJ em seu quarto antes de passar a discotecar em festas de amigos.
Diquebrada, por sua vez, foi aluno de uma oficina ministrada por Adriano e seguiu sua própria trajetória. Em suas apresentações, eles costumam tocar os LPs de coleção com aparelhos simuladores de vinil, que permitem reproduzir os mesmos efeitos. Para Quebrada, trabalhar em cima da tradição pode se revelar uma experiência glamurosa.
''Se você chegar numa balada com dez DJs escalados para tocar, e um deles aparecer com os vinis, é ele que vai se destacar. O público reage quando vê um cara tocando vinil em pleno século 21. É um negócio que chama atenção'', diz. De acordo com ele, DJ que usa os discões de acetato ou é ligado ao hip hop ou começou tocando o estilo antes de passar para algum gênero de música eletrônica.
''Todas as técnicas de DJ produzidas com dois toca-discos e um mixer têm raízes no hip hop, que nasceu na Jamaica na década de 60'', afirma. Adriano lamenta que uma boa parte dos DJs toque hoje em dia como robôs e sem qualquer conhecimento da história que envolve a atividade. ''Os caras se acomodaram, relaxaram por causa dos recursos trazidos pelas novas tecnologias'', assinala.
''Hoje em dia, basta ter um notebook e um programinha para o sujeito se considerar DJ e sair discotecando por aí. Ele monta um set, deixa rolar e finge que está tocando. Se perguntar para ele o que é mixagem, scratch, back to back ou qualquer outra técnica, ele não vai saber''. Além de seu trabalho-solo, Adriano desenvolve uma parceria com o MC W.M.C, com quem já se apresentou em várias cidades e prepara repertório para um CD.
Também é dono da Firma Forte, marca de roupas na linha hip hop fundada há dez anos. Ed Groove, por sua vez, ganha a vida como webdesigner sem abdicar da atuação como DJ. Adepto do vinil, ele tem atraído curiosos para assistir às suas performances nas festas promovidas em Londrina pela produtora Barbada. Diferentemente de Adriano e Diquebrada, cujos sets são recheados de rap nacional, ele prefere abastecer a pista com black music internacional incluindo muito funk e soul dos anos 70 de artistas como James Brown e Aretha Franklin.
''Gosto de brincar tocando as faixas originais seguidas de versões mais recentes que produtores criaram a partir delas. Dou muito valor aos arranjos, ao instrumental e menos ao que está sendo cantado'', conta. A discotecagem da festa contará ainda com um set da DJ Karen Iá Iá. Além disso, os grafiteiros Hugo e Carão (que ontem à noite inauguraram uma exposição de sua arte no local) recepcionarão o público com grafitagens ao vivo no hall de entrada da casa.
Como a noitada é dedicada ao hip hop, estarão presentes também o MC W.M.C e o dançarino Vasco.
Serviço:
Festa ''Scratch Night''
Quando - hoje às 23h
Onde - Garagem Hermética (Av. Jorge Casoni, 2242, entre as ruas Maranhão e Santa Catarina), em Londrina
Ingressos - R$ 10,00 (homem) e R$ 5,00 (mulher, que tem entrada franca até meia-noite)
Informações - (43) 3024-2740


