ReproduçãoBjork: o melhor disco de sua carreiraBjork está de volta ao mundo pop com o melhor disco de sua carreira. A cantora islandesa acaba de lançar ‘‘Homogenic’’, o primeiro em que ela assumiu a produção ao lado de seu parceiro Mark Bell. O álbum mostra a evolução de um estilo que ela desenvolveu em seus trabalhos anteriores, trazendo uma insuperável mistura de orquestras e beats eletrônicos.
Desde que lançou seu primeiro disco-solo, ‘‘Debut’’, de 1992, Bjork chamou atenção com faixas como ‘‘Human Behavior’’ e ‘‘Venus as a Boy’’, marcando um estilo único que mais tarde conquistou Madonna (ela gravou ‘‘Bedtime Story’’, escrita pela islandesa) e produtores como Tricky, Goldie e Howie B. Seus álbuns seguintes, ‘‘Post’’ e ‘‘Telegram’’, confirmaram Bjork como uma das mais inovadoras artistas do pop dos anos 90.
Explorando a eletrônica sem o exagero de nomes como Prodigy e Chemical Brothers e usando a dose certa de esquisitice, ela virou uma espécie de catalisadora de diversas culturas globais, sendo capaz de misturar influências da Islândia com as orquestrações do brasileiro Eumir Deodato e o drum-n’-bass dos clubes de Londres. Bjork conquistou o respeito da crítica especializada e um público fiel em diversas regiões do mundo. ‘‘Homogenic’’ deve pegar carona no atual hype da eletrônica e aumentar os domínios da cantora.
Sonoridade O disco é o mais ‘‘limpo’’ que ela já fez, trazendo uma base de violinos e violoncelos sobre beats eletrônicos graves e pesados. O que mais impressiona é a simplicidade com que a produção foi concebida e os resultados conseguidos por efeitos sonoros e recursos de mixagem dos instrumentos com a voz dela. Bjork inventou uma sonoridade que hoje chegou em um nível ainda mais avançado.
Nos últimos anos, ela dominou a técnica da mistura do acústico com o eletrônico e adaptou isso com perfeição à sua voz gritada, o que é possível perceber principalmente em suas apresentações ao vivo. Bjork cantou algumas das músicas novas em junho em Nova York, no Tibetan Freedom Concert, acompanhada por um quarteto de cordas regido por Deodato, mostrando o quanto se sente confortável com o trabalho que desenvolveu.
Tudo é sofisticado em ‘‘Homogenic’’: da capa criada pelo estilista do momento, o inglês Alexander McQueen, à direção de arte, dos designers da MeCompany, passando pelos timbres exclusivos, o disco é a celebração do mais alto nível da cultura pop atual. É onde a cultura club mundial sempre pretendeu chegar.
Simplicidade O álbum começa com a faixa ‘‘Hunter’’, que usa o jungle como base para uma melodia sofrida que diz ‘‘se viajar é procurar e eu achei minha casa, então não vou parar, vou continuar caçando’’. Em seguida, vem uma das mais belas, ‘‘Jóga’’, com uma orquestração de fazer inveja para qualquer trilha sonora de filme dos anos 70 e beats pesados e graves. A melodia reproduz o clima de outro grande momento da carreira dela, ‘‘Big Time Sensuality’’, do disco ‘‘Debut’’.
Outro destaque é ‘‘Bachelorette’’, em que ela diz que é uma ‘‘fonte de sangue em forma de garota’’. A música tem novamente uma orquestração brilhante, mas com clima mais sombrio e beats que lembram aberturas de seriados de aventura dos anos 70. A voz de Bjork, mixada com vários efeitos diferentes, está mais marcante do que nunca, mostrando uma interpretação cada vez mais precisa, em frases sobrepostas que vão criando acordes.
Bjork volta também ao tecno em ‘‘Pluto’’, com vocais distorcidos e ritmo bem mais rápido. A cantora define seu trabalho atual como ‘‘tecno da Islândia’’, o que evita comparações com outros artistas. O que na verdade ela está conseguindo é reinventar o tecno, adicionando climas para refrescar um gênero que está sendo atropelado pelo crescimento do drum-n’-bass.
‘‘Homogenic’’ emociona por ser o disco mais pessoal que Bjork já fez. Ela diz que o álbum é o reflexo de tudo o que ela passou no ano passado, incluindo uma briga com uma equipe de TV em Bancoc, a exposição de seu namoro com Goldie nos tablóides ingleses e uma ameaça de morte feita por um fã. De acordo com o produtor Howie B, que trabalhou em todos os discos dela e também foi um dos namorados-produtores, algumas das faixas são tão pessoais que ele não consegue ouvir, ‘‘por causa da dor que elas trazem tão claramente’’. O mais impressionante é que Bjork consegue passar os mesmos sentimentos para quem não tem nenhuma ligação com ela.

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